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07/Apr/2026

Fertilizantes: guerra afeta oferta e preço do enxofre

Segundo a Argus, o mercado global de enxofre apresenta cenário de restrição estrutural de oferta, com sustentação dos preços em níveis elevados diante do agravamento de conflitos em regiões produtoras e da demanda aquecida em setores industriais. O insumo, derivado majoritariamente do refino de petróleo e do processamento de gás natural, é base para a produção de ácido sulfúrico, utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados. Interrupções em infraestruturas na Rússia e no Oriente Médio reduziram volumes disponíveis no mercado internacional, levando as cotações a patamares superiores aos registrados em 2022. A suspensão das exportações russas foi estendida até o fim de junho de 2026, após ataques a refinarias que comprometeram unidades responsáveis por mais de 1 milhão de toneladas anuais.

No Oriente Médio, a paralisação de operações em uma refinaria com capacidade de 6 milhões de toneladas por ano também contribui para o cenário de restrição. A logística internacional permanece pressionada, com limitações no tráfego pelo Estreito de Ormuz e elevação dos custos de seguro marítimo, reduzindo o fluxo de embarcações. Alternativas logísticas, como o redirecionamento de cargas para portos no Mar Vermelho, apresentam custos elevados e baixa previsibilidade operacional no curto prazo. Pelo lado da demanda, o consumo industrial tem papel relevante na sustentação dos preços. Países como Indonésia e República Democrática do Congo ampliaram a utilização de enxofre para a produção de níquel, cobre e cobalto, competindo diretamente com a indústria de fertilizantes.

A Indonésia elevou suas importações de 3 milhões de toneladas em 2024 para 5 milhões em 2025, com pagamento de prêmios superiores a US$ 700 por tonelada. A China, principal referência global de preços, deve retomar as compras entre julho e setembro, mantendo a necessidade anual de importação em cerca de 9 milhões de toneladas, mesmo com uso atual de estoques domésticos. No Brasil, o cenário é de atenção para importadores, considerando que 42% das aquisições em 2025 tiveram origem no Oriente Médio. Com as restrições logísticas na região, houve aumento da dependência de fornecedores como Canadá e Turquia. As ofertas recentes atingiram US$ 740 por tonelada (CFR), com expectativa de avanço para US$ 800 nas próximas negociações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.