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07/Apr/2026

Fertilizantes: guerra pode influenciar plantio no Brasil

Segundo o Eurasia Group, a alta de 35% nos preços da ureia em duas semanas em março e o encarecimento do diesel em até R$ 1,50 por litro em partes das Regiões Centro-Oeste e Sul são os primeiros sinais de que a guerra no Irã já começa a afetar o campo brasileiro. O momento mais sensível para o agronegócio do País ainda está por vir: a compra de fertilizantes para o plantio da safra 2026/27, a partir de setembro. É nesse momento que um choque geopolítico tem mais risco de começar a influenciar as decisões do produtor no Brasil. Os impactos do conflito sobre o sistema agrícola global tendem a aparecer em sequência: primeiro energia e fretes, depois fertilizantes e custos de produção, em seguida decisões de plantio e, por fim, produtividade e preços dos alimentos. A alta de 2,4% do índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em março ante fevereiro é um sinal inicial de que o choque começa a chegar aos mercados consumidores.

O quadro não se compara ao choque alimentar global de 2022, mas mostra que a pressão de preços começa antes de surgirem faltas efetivas de produto. A exposição brasileira ao conflito é significativa por causa da dependência de insumos importados. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, atendeu integralmente à demanda por ureia com importações em 2025 e compra no exterior aproximadamente 30% do diesel utilizado no setor agrícola. Cerca de 41% das importações brasileiras de ureia passaram pelo Estreito de Ormuz no ano passado, o que evidencia a sensibilidade do sistema agrícola brasileiro a eventuais interrupções logísticas no Oriente Médio. O peso do agronegócio brasileiro amplia a relevância do País nesse contexto. As exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões em 2025 e responderam por 48,5% de todas as vendas externas brasileiras.

O Brasil é o maior exportador global de soja, café, algodão, açúcar, carne bovina e frango, além de figurar entre os principais fornecedores mundiais de milho e carne suína. Em um ambiente internacional mais fragmentado, essa posição torna o Brasil mais importante, mas também mais exposto a choques externos. Outros países com calendário agrícola mais adiantado já oferecem uma prévia de como choques de custos podem influenciar decisões produtivas. Nos Estados Unidos, produtores devem plantar 38,6 milhões de hectares neste ano, queda de 3% ante a temporada anterior, enquanto a área de soja deve crescer 4%, para 34,3 milhões de hectares. Esse movimento sugere como culturas mais intensivas em nitrogênio, como o milho, podem perder espaço quando os fertilizantes ficam mais caros.

Na Índia, o governo já reforça estoques e busca novos fornecedores diante das complicações nas rotas comerciais ligadas ao Golfo. A guerra reacende o debate sobre alternativas aos fertilizantes convencionais, e o Brasil aparece nessa discussão com destaque. Produtos biológicos cobriram 26% da área plantada brasileira na safra 2023/24, um dos maiores índices do mundo. Os biológicos não substituem, no curto prazo, os fertilizantes de origem fóssil, especialmente os nitrogenados, mas ganham relevância quando esses insumos ficam mais caros e mais difíceis de transportar. O que está sendo testado agora é se o sistema que sustenta o sucesso agrícola do Brasil pode continuar confiável em um mundo em que energia, fertilizantes e rotas marítimas deixaram de ser apenas variáveis de mercado e passaram a ser também variáveis geopolíticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.