07/Apr/2026
Lideranças da indústria de fertilizantes criticaram as políticas públicas brasileiras para o setor, apontando "falhas" no Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), instituído em 2022 como uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência externa de insumos agrícolas, e decisões tributárias recentes que agravam a crise de custos. O Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) afirmou que o governo falhou ao não estabelecer ações diretas para o enxofre. O PNF foi revisado, mas uma falha crítica que não foi considerada é o enxofre. O plano entende a importância do insumo na cadeia de fósforo e o risco da dinâmica global para o Brasil, mas, no documento, não há nenhuma ação ou meta em relação ao enxofre.
O setor tem articulado com os Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para que o enxofre e a amônia sejam incluídos na Política Nacional de Minerais Críticos, o que traria agilidade regulatória e benefícios tributários. Outro ponto de insatisfação é a Lei Complementar 224, que entrou em vigor em abril e retirou incentivos de PIS/Cofins para o setor. O aumento da alíquota veio no pior momento possível, por desconhecimento e desatenção sobre o que está acontecendo no mercado agrícola. Cálculos do Sinprifert indicam que a medida deve encarecer o fertilizante para o agricultor entre 2% e 3%.
A Itafos Fertilizantes no Brasil reforçou a falta de suporte financeiro comparado a outros players globais. Os Estados Unidos investem US$ 250 milhões por ano na cadeia de fertilizantes. O Brasil não tem uma linha de financiamento específica para essa cadeia. Muito pouco tem sido feito em linha de investimento para a indústria. A EuroChem Brasil também ressaltou a irrelevância da produção doméstica frente ao consumo nacional de cerca de 2,5 milhões de toneladas de enxofre por ano. A Petrobras tem uma disponibilidade muito baixa de enxofre e os volumes não atendem o consumo. Além disso, há um impacto na qualidade, o que gera mais resíduos e reduz a produtividade das plantas de ácido sulfúrico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.