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02/Apr/2026

Insumos: guerra ameaça safra de verão 2026/2027

Segundo o Bradesco, o agronegócio brasileiro entra no segundo trimestre de 2026 sob pressão crescente de custos, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os preços de energia, frete e fertilizantes no momento de definição das compras para a safra de verão (1ª safra 2026/2027). O período de aquisição de insumos, concentrado entre abril e junho, ocorre em ambiente de elevada incerteza, com baixa probabilidade de normalização rápida dos mercados, mesmo em caso de cessar-fogo no curto prazo. O principal canal de impacto é o mercado de fertilizantes. A região do Oriente Médio possui relevância na produção de nitrogenados, cuja fabricação depende de gás natural.

A restrição logística associada ao Estreito de Ormuz elevou os preços do gás, encarecendo a produção desses insumos. O quadro foi intensificado por medidas de restrição às exportações adotadas por China e Rússia, envolvendo NPK e fosfatados, priorizando o abastecimento interno e reduzindo a disponibilidade global. O diesel configura o segundo vetor relevante de pressão. O combustível é essencial para operações agrícolas, transporte interno e escoamento da produção, e apresenta defasagem de 63% em relação ao mercado internacional. Durante a colheita, o aumento dos custos operacionais impacta diretamente as margens, que já se encontram comprimidas em relação às safras anteriores.

A logística também registra encarecimento. A interrupção de rotas tradicionais de navegação levou à adoção de trajetos alternativos, elevando o tempo de transporte, o consumo de combustível e os custos de seguro e frete. Esse cenário amplia o impacto sobre o produtor, que simultaneamente realiza o escoamento da produção atual e negocia a aquisição de insumos para o próximo ciclo. Mesmo com eventual redução das tensões geopolíticas no curto prazo, a normalização dos mercados tende a ser gradual, diante da rigidez das cadeias de suprimento e do tempo necessário para recomposição logística e energética. Nesse contexto, a postergação das compras de insumos pode resultar em custos mais elevados por período prolongado.

O cenário impõe um dilema ao produtor. A aquisição imediata de insumos implica absorver preços elevados, enquanto o adiamento das compras expõe a formação de custos a um ambiente de incerteza geopolítica persistente. A duração do conflito tende a ser determinante para a definição da estratégia de compras da próxima safra. No início do ano, os fertilizantes já operavam em patamares elevados, com MAP cotado a R$ 4.610,00 por tonelada, ureia a R$ 3.851,00 por tonelada e KCL a R$ 2.030,00 por tonelada. O conflito adiciona nova pressão altista sobre um mercado que ainda não havia se estabilizado após os choques recentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.