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02/Apr/2026

Logística: fundo para BR-163 está sob investigação

A destinação de recursos públicos para a retomada das obras na BR-163 em Mato Grosso passou a ser objeto de investigação, envolvendo a estrutura de financiamento utilizada para viabilizar à gestora Reag, investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e ligações com o crime organizado. O governo estadual aportou R$ 447 milhões em um fundo de investimento em direitos creditórios não padronizado, criado em 2023, com o objetivo de financiar a duplicação e modernização de um dos principais corredores logísticos do agronegócio. O fundo foi estruturado para aquisição de direitos creditórios, modalidade que consiste na compra de recebíveis futuros. Após o aporte, os recursos foram utilizados para adquirir títulos de dívida da antiga concessionária da rodovia junto a credores, em operação que envolveu aproximadamente R$ 1 bilhão em direitos creditórios.

Desde 2023, o trecho mato-grossense da rodovia está sob responsabilidade de empresa estatal, após a saída da concessionária anterior em 2022. A transferência da concessão foi formalizada em maio de 2023, com participação de órgãos federais na definição dos termos, incluindo agência reguladora e instâncias de controle. A BR-163 possui extensão de cerca de 850 quilômetros no trecho concedido e é considerada eixo estratégico para o escoamento da produção agropecuária, conectando regiões produtoras aos portos do Norte do País. Desde a retomada das obras, foram duplicados aproximadamente 230 quilômetros, com redução de 28% no número de mortes por acidentes em 2025. A estrutura adotada para financiamento e gestão dos recursos entrou no foco de apurações conduzidas no âmbito de investigação sobre possíveis irregularidades no sistema financeiro.

As análises incluem operações envolvendo fundos de investimento e relações com instituições financeiras, com suspeitas de uso desses instrumentos em práticas ilícitas. Também há solicitação de informações sobre crédito de R$ 5 bilhões destinado à obra, ampliando o escopo de avaliação sobre o financiamento do projeto. O tema envolve discussão sobre governança, critérios de alocação de recursos públicos e riscos associados à estrutura financeira adotada. O caso ocorre em um contexto de sensibilidade política, com questionamentos sobre a condução das operações e possíveis impactos sobre a execução de obras consideradas estratégicas para a logística do agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.