01/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, a retomada da cobrança dos impostos PIS e Cofins para os setores de fertilizantes, defensivos e sementes, prevista para 1º de abril, deve intensificar a pressão sobre os custos e margens do setor produtivo. A medida ocorre em um contexto de preços elevados de insumos e incertezas geopolíticas, incluindo a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. A isenção para esses segmentos, estabelecida em 2004, tinha como objetivo aumentar a competitividade da agricultura brasileira e impedir que a elevação de custos fosse repassada aos preços da cesta básica.
O fim da alíquota zero resulta da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional em 2025 e sancionada pelo governo federal. O efeito sobre os custos é acumulativo, em razão da alta nos preços de insumos, diesel e frete, com a nova tabela de fretes já em vigor. Desde o início do conflito no Oriente Médio, em fevereiro, o adubo fosfatado (MAP) apresentou alta de 20%, enquanto a ureia subiu cerca de 60%. Esses aumentos geram incertezas nas misturadoras quanto à formação de estoques, diante do risco de prejuízos caso os preços recuem após importações a valores elevados. O cenário de custos elevados pode influenciar o comportamento de investimento do produtor, reduzindo a aplicação de tecnologia nas próximas etapas produtivas.
A eventual retração na demanda por fertilizantes impactaria, principalmente, a safra de verão 2026/27, sem afetar a 2ª safra de milho, que já foi concluída. Mais da metade do mercado de fertilizantes para o ciclo atual ainda está em uso, permitindo que efeitos sobre a produção sejam observados apenas no próximo ciclo. Anteriormente, a projeção era de crescimento do mercado de fertilizantes, motivada pela busca do produtor por maior produtividade para compensar margens reduzidas. No entanto, a combinação do retorno da tributação, preços elevados de insumos e o contexto geopolítico pode alterar o padrão de investimento no ciclo de verão (1ª safra 2026/2027). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.