01/Apr/2026
Segundo a BHP, a maior mineradora do mundo, o mercado global de fertilizantes atravessa uma nova fase de turbulência, marcada pela intensificação de conflitos geopolíticos e pela adoção de restrições às exportações por grandes fornecedores, ampliando a volatilidade no ambiente de negócios do setor. O cenário atual sucede episódios recentes de instabilidade, incluindo os impactos da pandemia e da guerra no Leste Europeu, sendo agora agravado pelo conflito no Oriente Médio e por limitações impostas por países relevantes na oferta de insumos. Esse conjunto de fatores tem elevado custos logísticos, especialmente no transporte marítimo, com reflexos diretos sobre preços e disponibilidade.
No segmento de potássio, embora a exposição direta aos conflitos seja menor em comparação a nitrogenados e fosfatados, há impactos indiretos decorrentes do encarecimento do frete e da dinâmica de consumo. A comercialização ocorre majoritariamente por meio de formulações NPK, nas quais o nitrogênio tem maior peso, o que tende a levar produtores a ajustarem o uso de fertilizantes em momentos de maior custo, com redução pontual da demanda. A expectativa é de retração temporária no consumo, com efeitos de curto prazo sobre os preços do potássio. No entanto, a reposição posterior tende a ocorrer de forma intensificada, especialmente em mercados como o Brasil, onde os solos apresentam déficit de nutrientes.
A dinâmica agrícola nacional, com duas safras anuais, indica que eventuais ajustes no uso de fertilizantes podem gerar impactos concentrados em ciclos de até seis meses. No âmbito produtivo, os custos de produção de potássio situam-se historicamente entre US$ 105 e US$ 120 por tonelada, enquanto os preços mínimos observados no mercado alcançaram cerca de US$ 260 por tonelada, mantendo margens operacionais positivas mesmo em cenários de maior pressão. A expansão da oferta global inclui novos projetos estruturantes, com destaque para a entrada em operação de uma mina na província de Saskatchewan, no Canadá, prevista para o início de 2027.
A região concentra cerca de 40% das reservas mundiais de potássio. O empreendimento envolve investimento total de US$ 13 bilhões e projeta produção de 4,1 milhões de toneladas em dois anos, com potencial de atingir 8,5 milhões de toneladas anuais em 2033, equivalente a aproximadamente 10% da produção global. A expectativa é de que cerca de 20% desse volume seja destinado ao Brasil, reforçando o papel do País como importante mercado consumidor. A ampliação da oferta ocorre em paralelo à necessidade de fortalecimento da infraestrutura logística, incluindo investimentos em ferrovias, rodovias e capacidade de armazenagem, com foco na distribuição para regiões produtoras como Centro-Oeste e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
No campo estratégico, a cooperação de longo prazo entre países com potencial mineral e agrícola é apontada como mecanismo para mitigar riscos de abastecimento. Ao mesmo tempo, permanece a avaliação de que a dependência externa de fertilizantes continuará elevada no Brasil, em função de limitações geológicas e da expansão projetada do agronegócio. A combinação entre volatilidade geopolítica, custos logísticos elevados e ajustes na demanda reforça a perspectiva de manutenção de um ambiente instável no mercado global de fertilizantes nos próximos períodos. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.