01/Apr/2026
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os fretes rodoviários de grãos devem permanecer em patamares elevados ao longo dos próximos meses, com possibilidade de novas altas em abril, em meio ao escoamento da safra recorde de soja, à proximidade da colheita do milho e ao reajuste do piso mínimo de transporte. A manutenção da pressão logística decorre da elevada oferta a ser movimentada e da necessidade de liberar espaço nos armazéns para o giro dos estoques. A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, com crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior e novo recorde. A soja deve alcançar 177,8 milhões de toneladas. Até o início de março, cerca de 50,6% da área cultivada com a oleaginosa havia sido colhida, mantendo ritmo intenso de avanço em diversas regiões produtoras.
A elevada disponibilidade de soja para escoamento, somada à proximidade da colheita do milho, sustenta a disputa por caminhões. Em Mato Grosso, o volume remanescente de milho no campo ainda superava 5% ao fim de fevereiro, ampliando a concorrência por transporte no período de transição entre safras. Em Mato Grosso, os fretes apresentaram alta em praticamente todas as rotas em fevereiro. A partir de Sorriso, o transporte para o Porto de Santos (SP) avançou de R$ 510 para R$ 520 por tonelada, alta de 2% no mês e de 6% em relação a fevereiro de 2025. Para o Porto de Paranaguá (PR), a cotação subiu de R$ 480 para R$ 500 por tonelada, acumulando elevação de 9% no ano. Em Querência, no Vale do Araguaia, as altas mensais atingiram 19% na rota para Colinas (TO) e 14% para Araguari (MG). Os investimentos em infraestrutura no Estado, com ampliação da malha asfaltada e expansão de terminais de transbordo, têm contribuído para maior eficiência no escoamento, mesmo sob condições climáticas adversas.
Ainda assim, a logística segue dependente do alinhamento com o ritmo das operações de campo para evitar gargalos. Em Goiás, as chuvas intensas na primeira quinzena de fevereiro provocaram retenção de frotas e interrupções nos carregamentos, resultando na cobrança adicional de frete de espera. A rota Rio Verde-Santos registrou alta de 32%, passando de R$ 265 para R$ 351 por tonelada. Para Araguari e Uberaba, os reajustes a partir de Rio Verde alcançaram 58% e 56%, respectivamente. Em Cristalina, a rota para Uberaba chegou a picos de R$ 150 por tonelada. O plantio tardio do milho 2ª safra, com apenas 60% da área implantada até o fim de fevereiro, reduziu a janela logística e elevou os riscos operacionais. No Distrito Federal, os fretes aumentaram entre 4% e 6% em fevereiro frente a janeiro, com maior intensidade nas rotas destinadas a Minas Gerais, São Paulo e Paranaguá. O transporte entre Brasília e Santos passou de R$ 321,67 para R$ 333,33 por tonelada. O diesel S10 foi cotado a R$ 6,11 por litro no período.
A expectativa é de elevação adicional de até 15% nos fretes, acompanhando o pico do escoamento de soja e milho. A atualização do piso mínimo de frete, com reajuste superior a 3% e mudanças na metodologia de cálculo, também contribui para a sustentação das cotações. Em Mato Grosso do Sul, o aumento da fiscalização eletrônica sobre o pagamento do frete reduziu a margem para negociações abaixo dos valores estabelecidos. Até o fim de fevereiro, a colheita da soja no Estado havia atingido cerca de 55% da área cultivada. As exportações brasileiras de soja em grãos somaram 8,9 milhões de toneladas no primeiro bimestre, alta de 20% em relação às 7,4 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. Os portos do Arco Norte responderam por 38,4% do volume, ante 33,1% no ano anterior, enquanto Santos concentrou 36,8% e Paranaguá 20,9%.
Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás lideraram a origem das cargas. No caso do milho, as exportações totalizaram 5,8 milhões de toneladas no primeiro bimestre, ante 5 milhões de toneladas um ano antes. O Arco Norte ampliou sua participação de 30,6% para 40,8%, enquanto o Porto de Santos manteve 33,5% do escoamento. O cenário logístico também incorpora riscos associados ao abastecimento de fertilizantes. As tensões no Oriente Médio têm pressionado a oferta internacional de ureia e nitrato de amônia, com relatos de restrições comerciais e limitações à navegação no Estreito de Ormuz. O Brasil, altamente dependente de importações, registrou entrada de 2,38 milhões de toneladas em fevereiro de 2026, frente a 2,29 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. O consumo nacional foi estimado em 51,7 milhões de toneladas no ciclo mais recente, ampliando a exposição do setor a choques externos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.