27/Mar/2026
A intensificação do conflito no Oriente Médio eleva os riscos para o abastecimento de fertilizantes no Brasil, em função da elevada dependência externa do insumo. O País importa cerca de 85% do volume consumido, o equivalente a aproximadamente 45 milhões de toneladas por ano, com origem em fornecedores como Rússia, Canadá, Marrocos, Arábia Saudita e China. O principal vetor de impacto está na elevação dos preços do petróleo, do gás natural e dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, cuja produção está diretamente associada ao custo e à disponibilidade de gás.
A região do Oriente Médio exerce papel relevante nesse segmento, tanto como produtora quanto como fornecedora de energia utilizada por outros países na fabricação desses insumos. A dependência de rotas estratégicas de transporte marítimo amplia a vulnerabilidade do sistema, com destaque para gargalos logísticos em corredores internacionais relevantes para o fluxo de energia e insumos. Esse cenário reforça a exposição da agricultura brasileira a choques externos, tanto de preços quanto de disponibilidade física.
O agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 50% das exportações do País, tende a ser diretamente impactado por eventuais restrições no fornecimento de insumos, especialmente em função do calendário produtivo. A atividade agrícola opera com janelas definidas, com início do plantio concentrado a partir de setembro, o que limita a capacidade de ajuste diante de atrasos logísticos ou escassez de fertilizantes. Nesse contexto, o cenário geopolítico atua como fator de teste para a resiliência do setor, podendo afetar custos de produção, produtividade e, consequentemente, o desempenho da safra nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.