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26/Mar/2026

Sementes: Boa Safra vê oferta ajustada em 2026

A Boa Safra avalia que o mercado brasileiro de sementes deve operar em 2026 com oferta mais equilibrada do que no ciclo anterior, após um ano marcado por excesso de disponibilidade no setor e queda na própria taxa de conversão da produção em sementes comercializadas. A taxa de conversão mede quanto do volume produzido pela empresa consegue ser vendido como semente, produto de maior valor agregado que o grão convencional. Quando um lote não atinge os padrões técnicos exigidos ou não encontra comprador como semente, ele é comercializado como grão no mercado de commodities, a preços inferiores. Em 2025, a Boa Safra tinha capacidade instalada para 280 mil big bags, unidades de grande volume destinadas a produtores rurais, mas vendeu 215 mil como semente. A taxa de conversão ficou em 76%, abaixo da média histórica de 80% da companhia. "A gente esperava vender um pouco mais como semente, não conseguiu e vendeu como grão. Foi um dos detratores da rentabilidade mais baixa do que a gente imaginava", disse o CEO, Marino Colpo.

O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Marques, detalhou a composição das perdas. Cerca de 15% da produção deixou de virar semente por questões de qualidade, acima do índice histórico de 10%, enquanto outros 9 pontos porcentuais corresponderam a volume dentro dos padrões técnicos que não foi convertido em venda. "Foi um ano de muita seca. Se você pegar 15% de qualidade, teve aí 9% de não venda", afirmou. Para 2026, o projeto operacional da companhia prevê reduzir o índice total de não conversão para menos de 20%, recuperando margem perdida no ciclo anterior. Na avaliação de Marques, o equilíbrio entre oferta e demanda no setor tende a melhorar no próximo ciclo por dois fatores. O primeiro é o recuo voluntário de concorrentes, que já vinham reduzindo o volume de sementes produzidas antes mesmo do encerramento de 2025. O segundo é o excesso de chuvas em Mato Grosso durante a colheita da safra 2025/26, que pode comprometer a qualidade da soja destinada à produção de sementes.

"Já estava todo mundo diminuindo o volume, ninguém aumentando mais, e aí um excesso de chuvas corrobora e faz com que vai ter menos semente disponível no mercado", disse. Marques ponderou que o ajuste não configura escassez. "Não estou falando que é um cenário de falta de sementes. Mas tenho certeza de que este ano o mercado não vai operar nos mesmos níveis de sobra que operou no ano passado", afirmou. Do lado da demanda, Colpo ressaltou a resiliência estrutural do setor. Segundo ele, a área plantada de soja no Brasil sofreu redução apenas uma vez em 50 anos, o que torna pouco provável uma queda na demanda por sementes. "Semente não tem substituto. Você pode usar menos fertilizante, menos biológico. Semente não", disse. A companhia trabalha com cenário de estabilidade ou leve crescimento da área cultivada em 2026, sem perspectiva de recuo, o que deve sustentar a demanda no próximo ciclo.

O diretor financeiro e de relações com investidores da Boa Safra, Felipe Marques, afirmou que a companhia entra em 2026 com expectativa de um ambiente competitivo mais favorável, após um ano marcado por excesso de oferta e pressão atípica de preços no mercado de sementes. "A gente entra num ambiente concorrencial mais benigno, com menos oferta e menos caixa nos concorrentes para fazer operações. Esses dois eventos que sofremos no ano passado parecem já estar bem mitigados", disse Marques. O executivo explicou que o quarto trimestre de 2025 foi marcado por duas distorções simultâneas. A primeira foi a queda abrupta de qualidade das sementes provocada pela seca, que forçou descarte e venda de volumes como grão, a preços muito inferiores. "Semente é um ser vivo. Tinha boa germinação, bom vigor, mas chegou no quarto trimestre a qualidade caiu abruptamente. A qualidade não é negociável com a gente", disse.

A segunda foi a guerra de preços promovida por concorrentes com caixa pressionado, que passaram a vender abaixo do custo para gerar liquidez. Segundo ele, a Boa Safra optou por não acompanhar esse movimento. "Alguns fizeram vendas a qualquer custo. A gente não foi capaz de capturar esse mercado de vendas adicionais porque eram preços abaixo do custo, o que não fazia sentido", afirmou. O Ebitda ajustado do trimestre recuou 55%, para R$ 58,5 milhões, com margem de 5%, ante 14% um ano antes. Para 2026, Marques aposta em maior previsibilidade operacional. A empresa entra no ciclo com 302 mil hectares de campos contratados, acima da capacidade instalada de 280 mil big bags, situação inédita na história da companhia. "É a primeira vez que entramos com campos contratados acima da nossa capacidade instalada. Isso nos dá uma margem de segurança maior para compensar eventuais perdas de qualidade", disse. Outro vetor de recuperação será a diluição de despesas.

Após um ano de forte expansão que elevou os custos comerciais e administrativos, Marques disse que as despesas comerciais e administrativas devem crescer apenas no ritmo da inflação em 2026, após a reestruturação realizada no quarto trimestre. "Não é a nossa expectativa reduzir o SG&A em números absolutos. Mas a gente entra nesse ano para ele crescer à medida da inflação dos seus componentes", afirmou. Com a receita avançando, a tendência é de queda da participação dessas despesas no faturamento. Marques destacou também que a carteira de pedidos de novas culturas e serviços já supera R$ 100 milhões para 2026, patamar inédito, e que a base de clientes construída ao longo de 2025, hoje em 720 distribuidoras ativas, deve permitir crescimento com menor necessidade de incentivos comerciais do que os praticados no ciclo anterior. Apesar da expectativa de melhora, o executivo ponderou que o cenário ainda exige cautela. A rentabilidade do produtor segue pressionada e o crédito continua restrito, fatores que limitam uma recuperação mais rápida do setor. Fonte: Broadcast Agro.