ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

26/Mar/2026

Sementes: Boa Safra otimista sobre novas culturas

A Boa Safra projeta que as operações de novas culturas passem a gerar resultado positivo em 2026; no ano passado não contribuíram para o resultado consolidado da companhia. A avaliação foi feita pelo CEO, Marino Colpo. Segundo ele, o segmento ainda não havia atingido escala suficiente para diluir despesas operacionais e comerciais. "Quando você começa com culturas novas, acaba tendo prejuízos, porque ainda não consegue diluir o time comercial e outras despesas da operação. Esses negócios ainda não estavam no tamanho mínimo de break even", disse. No acumulado de 2025, a receita operacional bruta das novas culturas e serviços cresceu 88%, para R$ 292 milhões, passando a representar 13% da receita total de sementes e novos negócios da companhia. Em 2020, a empresa operava com apenas uma cultura. Hoje, atua com seis culturas e 173 cultivares e variedades, entre elas milho, sorgo, trigo, feijão e sementes voltadas à agricultura regenerativa.

A carteira de pedidos dessas culturas encerrou o quarto trimestre de 2025 em R$ 128 milhões, ante R$ 22 milhões no mesmo período de 2024. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Marques, afirmou que o aumento de escala muda a leitura para o próximo ciclo. "As novas culturas até têm uma margem bruta porcentual melhor que a da soja, mas quando você olha o resultado final, com equipe comercial dedicada, ainda não estavam se sustentando. Para este ano, porém, a previsão é que todas passem a gerar resultado positivo", disse. Segundo ele, a carteira de pedidos de outros negócios já soma cerca de R$ 150 milhões para 2026, com forte participação do milho, responsável por cerca de 76% do faturamento da Bestway Seeds, empresa de produção e beneficiamento de sementes de milho controlada pela Boa Safra.

Na terça-feira (24/03), a Boa Safra anunciou o arrendamento de uma unidade industrial da Syngenta Seeds em Ituiutaba (MG) por quatro anos, por meio da Bestway, da qual detém 66% do capital. O início das atividades está previsto para maio de 2026. Colpo afirmou que preferia divulgar o acordo apenas na próxima semana, mas a assinatura foi concluída ontem, mesmo dia dos resultados. "É uma notícia muito boa para nós", disse. A unidade arrendada tem capacidade produtiva de 1,2 milhão de sacas por ano, considerando as duas fases do processo de beneficiamento. Com a expansão, a Bestway passa a contar com capacidade total de 2,5 milhões de sacas por ano, quase o dobro da estrutura anterior. A empresa já opera outras três plantas de beneficiamento no entorno de Uberlândia (MG), em um raio de 400 quilômetros que concentra cerca de 80% da produção nacional de sementes de milho. "Em um setor que deve encerrar a safra 2025/26 com cerca de 138 milhões de toneladas de milho em grãos, ampliar nossa capacidade em sementes de milho é fundamental.

O milho é a segunda maior cultura do Brasil e queremos nos tornar um player cada vez mais relevante nesse mercado, assim como já somos em sementes de soja", afirmou Marques. Colpo acrescentou que a relação com a Syngenta pode abrir espaço para novos acordos. "A gente tem conversado com a Syngenta e com outras empresas do setor. Há interesse em desenvolver outros tipos de parceria", disse. Para 2026, Marques projeta que a combinação entre o novo patamar de escala nas outras culturas e um ambiente competitivo menos agressivo no mercado de sementes favoreça a rentabilidade do segmento. A diversificação do portfólio já mostrou efeito prático em 2025, ao reduzir a concentração histórica do faturamento no segundo semestre. "A gente vê um ano mais benigno, tanto para a semente de soja, com menor oferta, quanto para as outras culturas, que passam do break even e começam a contribuir positivamente para o resultado", afirmou.

A Boa Safra entrou no mercado de sementes de milho em um momento ruim e ficou dois anos à espera de melhora. Agora, quando os primeiros sinais de retomada aparecem, a companhia dobra a capacidade da Bestway Seeds, sua controlada de beneficiamento, apostando que o timing desta vez está a seu favor. "A gente adquiriu num momento ruim e ele continuou ruim por mais dois anos. É bem honesto", disse o CEO Marino Colpo. "Mas o setor ficou dois anos sem crescer e agora está começando a empurrar, com muita demanda por semente de milho e capacidade do Brasil bem ajustada", acrescentou. A expansão foi viabilizada pelo arrendamento de uma unidade industrial da Syngenta Seeds em Ituiutaba (MG) por quatro anos, com início previsto para maio.

A planta tem capacidade de 1,2 milhão de sacas por ano, quase dobrando a estrutura anterior da Bestway, que passa a 2,5 milhões de sacas totais e deve atingir 10% do mercado nacional de produção de sementes de milho. A Boa Safra detém 66% do capital da empresa. O que chama atenção no negócio, segundo o diretor financeiro Felipe Marques, é que a expansão não exige imobilização de capital. A Bestway opera no sistema de tolling, beneficiando sementes de terceiros como prestadora de serviço, o que gera margens mais altas e menor exposição ao ciclo de commodities do que o negócio de soja. "Quando a gente dobra quase a capacidade num negócio sem imobilizar capital, isso mostra como a gente potencializa o resultado", disse. Os números ainda são pequenos. A Bestway faturou menos de R$ 50 milhões em 2025, mas já entra em 2026 com carteira de pedidos de quase R$ 100 milhões, sem considerar o volume adicional da nova unidade.

A carteira de novas culturas e serviços da Boa Safra como um todo encerrou o quarto trimestre em R$ 128 milhões, ante R$ 22 milhões no mesmo período de 2024. "A gente ainda não tinha essa capacidade quando montou a carteira. Agora dobra", disse Marques. Colpo disse que, apesar da solidez do caixa, ainda não vê o momento certo para usar a liquidez em aquisições no segmento de soja. "A gente tem que acertar algum bom negócio no momento em que a soja volta a crescer. Mas na minha visão ainda não é esse momento", disse. No milho, a leitura é diferente. "O macro do milho está mudando bem, principalmente a partir do meio do ano", afirmou. Segundo o executivo, há conversas em andamento com a Syngenta e outras empresas sobre novas parcerias. Fonte: Broadcast Agro.