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25/Mar/2026

Fertilizantes: guerra causa choque de oferta e logística

A escalada do conflito no Oriente Médio provocou forte alta nos preços dos fertilizantes, impulsionada por restrições na oferta global, encarecimento da matéria-prima e gargalos logísticos em rotas estratégicas. O principal impacto ocorre sobre os fertilizantes nitrogenados, cuja produção depende diretamente do gás natural. A região do Golfo Pérsico concentra parte relevante das reservas globais e responde por parcela significativa das exportações desses insumos, tornando o mercado sensível a interrupções no fornecimento. Com a intensificação das tensões, há risco de redução na produção e nas exportações, além de dificuldades no escoamento, especialmente devido às restrições no Estreito de Ormuz, corredor fundamental para o transporte global de energia e derivados.

Nesse contexto, os preços internacionais reagiram de forma expressiva. A ureia acumulou alta de 50% desde o início do conflito, alcançando US$ 725 por tonelada, enquanto o MAP (fosfato monoamônico) registrou valorização de 14%, chegando a US$ 845 por tonelada. Além da oferta restrita, o mercado enfrenta pressões adicionais. A redução de exportações por grandes produtores e o aumento da demanda de países importadores ampliam a competição global pelos insumos, elevando ainda mais os preços. A reorganização das rotas logísticas também contribui para o encarecimento. Alternativas ao escoamento tradicional implicam custos mais elevados de transporte, seguros e prazos maiores de entrega.

Para o Brasil, o impacto é mais intenso devido à elevada dependência externa. O País importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura, o que amplia a exposição a choques internacionais de preços e disponibilidade. Diante desse cenário, o aumento dos custos dos fertilizantes tende a pressionar as margens dos produtores rurais e elevar o custo de produção de culturas como soja e milho, com potenciais reflexos sobre os preços ao longo da cadeia. Ao mesmo tempo, o ambiente de preços elevados reforça a importância de iniciativas voltadas à ampliação da produção doméstica de insumos, como forma de reduzir a vulnerabilidade estrutural do setor. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.