25/Mar/2026
O fechamento do Estreito de Ormuz desde o fim de fevereiro intensifica a pressão sobre os custos de produção agrícola, com impactos mais expressivos em energia e fertilizantes, especialmente às vésperas do plantio de primavera nos Estados Unidos. O cenário reforça o papel estratégico da região como gargalo global de energia, transmitindo rapidamente os efeitos da crise para o custo dos insumos agrícolas. Apesar da alta dos grãos, o impacto mais relevante ocorre pelo lado dos custos, elevando o risco para as margens da safra 2026/27. No mercado de commodities agrícolas, a reação foi moderada em comparação a episódios anteriores. Entre 27 de fevereiro e 17 de março, milho e trigo registraram alta entre 3,6% e 5,9%, enquanto o óleo de soja avançou 7,5%. A soja apresentou comportamento mais contido, com perda de 0,1% no período, indicando predominância dos fundamentos de oferta e demanda sobre o prêmio geopolítico.
Nos fertilizantes, o ajuste foi mais intenso, especialmente nos nitrogenados. A ureia no mercado da Costa do Golfo dos Estados Unidos avançou 28,2% em três semanas, passando de US$ 518 por tonelada métrica em 27 de fevereiro para US$ 664 em 17 de março. Os fosfatados também registraram elevação, com o fosfato diamônico (DAP) subindo 2,6% e o fosfato monoamônico (MAP) avançando 1,5%, enquanto o potássio apresentou variação mais limitada, de 0,8%. Em termos absolutos, DAP e MAP operam acima de US$ 700 por tonelada, enquanto a ureia supera US$ 600 por tonelada. A dinâmica atual difere do observado em choques anteriores, como em 2022, quando houve reação mais intensa dos grãos devido à relevância direta de países afetados no comércio global. No cenário atual, o impacto concentra-se em insumos energéticos e fertilizantes, dada a importância da região na produção e no escoamento de nitrogenados. Nos Estados Unidos, cerca de 17% do consumo de ureia e 20% do consumo de DAP e MAP estão associados a produtos que transitam pela região afetada, com baixa exposição em amônia e potássio.
A preocupação recai sobre a combinação entre dependência parcial e o momento crítico do calendário agrícola, em que compras emergenciais tendem a elevar custos e agravar gargalos logísticos. Para o Brasil, a vulnerabilidade é mais elevada. Aproximadamente 44,8% do consumo de ureia está vinculado à região do Golfo Pérsico, ante 17% nos Estados Unidos, além de dependência relevante em fertilizantes fosfatados, estimada em 15%. Esse quadro amplia o risco de pressão adicional sobre os preços e sobre a estrutura de custos do setor produtivo em caso de prolongamento das restrições logísticas. A duração do bloqueio no Estreito de Ormuz torna-se variável central para a trajetória dos preços. Interrupções de curto prazo tendem a gerar picos temporários, mas restrições prolongadas podem sustentar níveis elevados por períodos mais longos, ampliando a volatilidade e pressionando as margens agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.