24/Mar/2026
A elevação dos preços do diesel e dos fertilizantes, associada à dificuldade de abastecimento, intensifica a pressão sobre os custos de produção no agronegócio brasileiro e amplia o risco de descontinuidade operacional em atividades essenciais, especialmente durante a colheita da soja e o preparo para novos ciclos produtivos. Os produtores enfrentam restrições no fornecimento de diesel em diversas regiões. Há registros de redução significativa nos volumes entregues aos postos, com queda de 30 mil litros por dia para 8 mil litros em determinados casos, o que tem levado ao racionamento. O consumo diário de uma propriedade pode alcançar 400 litros durante a colheita, dificultando a manutenção das operações. Paralelamente, os preços do diesel S10 avançaram de R$ 5,70 para R$ 8 por litro em curto intervalo.
O cenário é influenciado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com impactos diretos sobre os preços do petróleo e, consequentemente, sobre combustíveis, fretes e fertilizantes. O ambiente externo também eleva riscos logísticos, incluindo possíveis bloqueios de rotas comerciais, aumento dos custos de seguro marítimo e incertezas quanto à disponibilidade de contêineres, afetando o fluxo de exportações, a competitividade e as margens do setor. Além do diesel, há forte preocupação com fertilizantes, especialmente a ureia, produto do qual o Brasil depende majoritariamente de importações. Os preços da ureia avançaram de até R$ 3,2 mil por tonelada na safra anterior para R$ 5,2 mil por tonelada, elevação de R$ 2 mil por tonelada.
O insumo é fundamental para culturas como o milho de 2ª safra e sua disponibilidade é determinante para o planejamento do próximo ciclo produtivo. Em regiões produtoras, há relatos de entregas parciais de diesel, com fornecimento de apenas metade das cotas habituais, elevando o risco de interrupção das operações em um período crítico, com máquinas ainda em campo por mais 10 a 15 dias. O consumo de colheitadeiras varia entre 200 e 400 litros por dia, enquanto equipamentos utilizados no preparo do solo demandam cerca de 18 litros por hora. Em alguns casos, o diesel já é comercializado acima de R$ 7,50 por litro, com dificuldade para formação de estoques mínimos. O impacto também se estende ao transporte, com aumento dos custos de frete, pressionando o escoamento da produção.
A combinação de alta de combustíveis, fertilizantes e logística resulta em elevação generalizada dos custos operacionais, reduzindo margens em um contexto já marcado por juros elevados e endividamento no setor. Medidas adotadas incluem desoneração tributária sobre o diesel, com zeragem de PIS e Cofins, além de subsídio de R$ 10 bilhões para produtores e importadores, e intensificação da fiscalização sobre distribuidoras para coibir práticas abusivas de preços. Ainda assim, persiste elevada incerteza quanto à efetividade dessas ações, diante da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e da duração do conflito geopolítico. O ambiente atual combina restrição na oferta de combustíveis, encarecimento de insumos estratégicos e riscos logísticos, configurando um cenário de pressão significativa sobre a produção e o abastecimento, com potencial impacto ao longo de toda a cadeia agroindustrial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.