24/Mar/2026
Segundo a Embrapa Territorial, o Brasil precisa adotar uma estratégia de Estado para ampliar a produção doméstica de fertilizantes e reduzir a vulnerabilidade do agronegócio à dependência externa. A análise indica que o principal desafio não está na identificação dos problemas, mas na execução de políticas públicas. O diagnóstico já foi consolidado no Plano Nacional de Fertilizantes, mas ainda há entraves relacionados à falta de coordenação entre diferentes áreas do governo. A necessidade de integração entre ministérios é apontada como condição central para viabilizar uma política consistente voltada à produção de insumos, especialmente nas áreas de mineração e energia. No campo estrutural, o Brasil apresenta potencial relevante para ampliar a produção interna de fertilizantes, com destaque para reservas de potássio e fosfato. O avanço, no entanto, depende de destravamento de projetos e de ajustes na política de uso do gás natural, insumo importante na cadeia de nitrogenados.
A avaliação é de que o fortalecimento da produção doméstica, aliado a investimentos em tecnologia, pode reduzir a exposição do País a choques geopolíticos e à volatilidade de preços internacionais. Além da agenda estrutural, a estratégia também envolve ganhos de eficiência dentro da porteira, com adoção de tecnologias que reduzam o consumo de insumos. Entre as alternativas estão a fixação biológica de nitrogênio, bioestimulantes, liberadores de fósforo, agricultura de precisão e aprimoramento do mapeamento de solos. O cenário reforça a necessidade de uma abordagem integrada entre política pública e inovação tecnológica para aumentar a competitividade e a segurança do agronegócio brasileiro. A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina afirmou que o Brasil falha ao não tratar a produção de fertilizantes como tema estratégico, mantendo o agronegócio vulnerável a choques externos e pressões de custo.
Segundo ela, o País carece de prioridade política e de um projeto nacional estruturado para enfrentar essa dependência. A senadora destacou que a importação representa mais de 90% do consumo de fertilizantes, expondo o setor a crises recorrentes. Tereza Cristina lembrou que participou da formulação do Plano Nacional de Fertilizantes, que previa elevar a produção doméstica para ao menos 35%, mas que o programa não avançou. Segundo ela, o Brasil possui potencial em reservas de potássio, fosfatos e na produção de nitrogenados via gás natural, mas enfrenta entraves regulatórios e falta de investimento. A senadora criticou ainda a paralisação de projetos industriais já avançados, como uma unidade de nitrogenados em Três Lagoas (MS). Segundo Tereza Cristina, o cenário atual é mais adverso que em crises anteriores, combinando fatores externos e domésticos, como preços agrícolas mais baixos e custos de produção elevados. A situação é agravada pelo crédito rural mais caro e ausência de seguro adequado, aumentando a tendência de endividamento no campo. A situação hoje é preocupante para o setor agro brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.