24/Mar/2026
A subsidiária brasileira da Bayer, empresa farmacêutica e química alemã, pretende passar a adotar critérios de diversidade para firmar contratos com fornecedores. Para dar início aos movimentos de diagnóstico, consultoria e plano de ação relacionados ao tema, a companhia estruturou o programa "Parceiros pela Diversidade", com a participação e aderência de oito fornecedores considerados estratégicos para a cadeia de suprimentos da empresa. A meta é que os resultados do programa deem base aos critérios de inclusão que serão levados em conta na execução de novas parcerias e na manutenção das atuais, como explica a executiva Cynthia Magalhães, líder de Compras da divisão agrícola da Bayer para América Latina.
Ainda não está estipulada a data de adoção dos critérios, mas o projeto-piloto está previsto para ser concluído no final de 2026. "A ambição é de que as diretrizes que desenvolvermos a partir deste piloto possam ser um padrão para toda nossa rede no futuro, tanto para parceiros atuais quanto para novos fornecedores que queiram se juntar à nossa cadeia de valor", diz a gestora ao Estadão/Broadcast. "Queremos ampliar nossa influência no ecossistema, compartilhar valores que são inegociáveis para nós e construir algo coletivo." Feito em conjunto com a consultoria Mais Diversidade, o programa terá a participação de fornecedores brasileiros dos segmentos de logística, sementes, tecnologia e embalagens.
De acordo com a Bayer, os participantes são: Transgrãos, Global Transportes, Grupo Toniato, Bravo, Comfrio, Grupo GPS (Segurança), FM2C e Grupo Penha. Os integrantes assinaram um termo de compromisso com o projeto em outubro de 2025 e, em dezembro, iniciaram a fase de diagnóstico. Ao todo, o piloto terá duração de 12 meses. "Esta fase inicial do programa foi lançada com fornecedores estratégicos de áreas essenciais e distintas para a nossa operação. A escolha de setores diversos foi intencional, pois nos permite criar e testar um modelo de colaboração que seja robusto e adaptável a diferentes realidades de negócio. Os aprendizados com este grupo serão fundamentais para definirmos os próximos passos e a futura expansão do programa para outros parceiros."
Segundo a Bayer, a fase de diagnóstico que está em curso não se baseia apenas na simples declaração dos fornecedores, e sim, exige documentos que comprovem as práticas de diversidade declaradas pelas empresas. O diagnóstico é composto por 50 perguntas que avaliam sete dimensões: estratégia e governança, liderança, educação, comunicação, recursos humanos, políticas e representatividade. Com base nos resultados dessa etapa, cada fornecedor receberá uma análise personalizada, para ajudar a priorizar os pontos mais críticos relacionados à sua realidade e a elaborar um plano de ação, cuja execução é de responsabilidade de cada empresa.
No final do ano, o diagnóstico será reaplicado para medir a evolução de cada um dos participantes. A metodologia, segundo a Bayer, conta com mentorias individuais, plataforma para centralizar aprendizados, cartilha de boas práticas, além do estímulo à troca de experiências entre os próprios parceiros. Também está previsto o acompanhamento do projeto de forma presencial em iniciativas como o Bayer Vai a Campo, na qual equipes visitarão os fornecedores ao longo do ano, e o Dia na Bayer, um evento em que os fornecedores irão à sede para troca de boas práticas.
Conforme a companhia, a iniciativa está ancorada em seus próprios resultados e aprendizados dentro do tema de diversidade. Dados da empresa indicam que, nos últimos cinco anos, o número de admissões de pessoas negras dobrou e cresceu 6% a representatividade delas nos cargos de liderança. Quanto às mulheres, 60% delas estão em posições de alta liderança na divisão brasileira da companhia. "Para a Bayer, inclusão e diversidade são valores essenciais. Acreditamos que ter um time diverso é imprescindível para inovar e encontrar soluções para os grandes desafios da humanidade em saúde e agricultura", afirma Cynthia. Fonte: Broadcast Agro.