23/Mar/2026
A China adotou novas restrições às exportações de fertilizantes, com o objetivo de proteger o abastecimento interno, medida que amplia a pressão sobre o mercado global já impactado por limitações logísticas e geopolíticas. Entre as ações recentes estão a suspensão de embarques de misturas de nitrogênio e potássio e de determinadas variedades de fosfato, além da manutenção de cotas para exportação de ureia. Com isso, apenas alguns produtos, como o sulfato de amônio, seguem com fluxo externo mais regular. As restrições podem afetar entre metade e três quartos das exportações chinesas de fertilizantes, o equivalente a até 40 milhões de toneladas, reduzindo significativamente a oferta disponível no mercado internacional.
O cenário ocorre em um contexto de interrupções logísticas relevantes, especialmente no transporte marítimo, em meio a tensões no Oriente Médio que impactam rotas estratégicas de fornecimento global. Como reflexo, os preços internacionais da ureia registraram alta próxima de 40% em relação aos níveis anteriores ao agravamento das tensões, enquanto os contratos futuros na China operam próximos das máximas dos últimos dez meses. A China figura entre os principais exportadores globais de fertilizantes, com embarques superiores a US$ 13 bilhões no ano anterior, e historicamente adota mecanismos de controle para garantir preços mais baixos aos produtores domésticos.
A redução na disponibilidade global tende a impactar diretamente países dependentes das exportações chinesas, como Brasil, Indonésia, Tailândia, Malásia, Nova Zelândia e Índia, que utilizam o insumo de forma intensiva na produção agrícola. O aumento dos preços pode levar à redução no uso de fertilizantes ou à substituição por culturas menos dependentes de insumos, com potenciais efeitos sobre a produtividade agrícola global. A expectativa do mercado é de que as restrições sejam mantidas ao menos até o fim do período de maior demanda interna na China, o que pode prolongar o cenário de oferta restrita e preços elevados no curto prazo. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.