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23/Mar/2026

Defensivos pressionam recursos hídricos do Cerrado

O avanço do uso de insumos agrícolas no Cerrado tem ampliado a pressão sobre os recursos hídricos do bioma, em um cenário de redução da disponibilidade de água e aumento de riscos de contaminação. As entidades que integram a campanha "Cerrado Coração das Águas", entre ela ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IIEB e WWF-Brasil, apontam que a combinação entre expansão agrícola, desmatamento e uso intensivo de insumos químicos compromete a capacidade do bioma de regular seus ciclos hídricos. Estimativas indicam aplicação anual de aproximadamente 600 milhões de litros de defensivos agrícolas na região, com impacto crescente sobre bacias hidrográficas consideradas estratégicas para o abastecimento nacional.

O processo ocorre em conjunto com a expansão da fronteira agrícola e o desmatamento, fatores que comprometem a capacidade natural do bioma de regular os ciclos hídricos e manter a recarga de aquíferos. A cultura da soja concentra a maior parte do uso de insumos, respondendo por cerca de 63% do total aplicado no Cerrado. Paralelamente, a agropecuária representa 58,6% do consumo hídrico no País, intensificando a pressão sobre os recursos disponíveis. Estudos sobre a dinâmica hidrológica do bioma indicam redução de vazão em grande parte das bacias ao longo das últimas décadas, com projeções de perda de até 35% das reservas de água até 2050, associadas principalmente às mudanças no uso da terra. Além da menor disponibilidade, há avanço da contaminação hídrica, refletido no aumento de registros de intoxicação por defensivos agrícolas no País, evidenciando riscos associados ao modelo produtivo intensivo em insumos.

O Cerrado desempenha papel central no abastecimento hídrico nacional, sendo origem de importantes bacias, como as dos rios São Francisco, Tocantins-Araguaia e Prata, o que amplia a relevância dos impactos observados na região. Nesse contexto, a redução de vazões em sistemas hídricos estratégicos reforça a preocupação com a segurança hídrica, com efeitos potenciais sobre o abastecimento, a produção agropecuária e o equilíbrio ambiental. Como resposta, iniciativas voltadas à ampliação de áreas protegidas, recuperação de nascentes e preservação de territórios tradicionais são apontadas como medidas para mitigar os impactos e preservar a funcionalidade do bioma. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.