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20/Mar/2026

Fertilizantes: crise no Oriente Médio eleva preços

A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou a volatilidade no mercado global de fertilizantes e já pressiona os custos de reposição no Brasil, em um contexto de estoques reduzidos e elevada dependência de importações. O Estreito de Ormuz passou a atuar como gargalo logístico relevante, impactando fluxos comerciais, fretes, seguros e preços, ao mesmo tempo em que restrições de exportação da China reduzem a oferta disponível no mercado internacional. A região do Oriente Médio concentra parcela significativa da oferta global de ureia, com capacidade de exportação estimada entre 30% e 35% do volume mundial. Relatos indicam que mais de 20 navios, carregando cerca de 1 milhão de toneladas de produtos como ureia, enxofre e fosfatados, ficaram retidos na região, reforçando o desequilíbrio logístico. Como a produção de ureia e amônia depende diretamente do gás natural, choques simultâneos em energia e logística tendem a ser rapidamente incorporados aos preços.

O enxofre também figura como ponto crítico neste cenário, por ser insumo essencial na produção de ácido sulfúrico, base da cadeia de fertilizantes fosfatados. A elevação de custos ou dificuldades logísticas associadas ao produto impactam diretamente a competitividade de fosfatados, reduzindo inclusive a possibilidade de substituição entre nutrientes, mesmo em momentos de alta de produtos como MAP e DAP. Paralelamente, o mercado enfrenta restrições adicionais de oferta com o endurecimento dos controles de exportação por parte da China, em movimento voltado à preservação do abastecimento interno e estabilização de preços domésticos. A medida limita alternativas de fornecimento justamente em um momento de busca por diversificação de origens diante das incertezas no Oriente Médio. No Brasil, os impactos são mais imediatos em função da elevada dependência externa. O País importou cerca de 8 milhões de toneladas de ureia em 2025, evidenciando a exposição ao mercado internacional de nitrogenados.

Nas últimas duas semanas, a ureia CFR Brasil registrou alta de 40%, atingindo US$ 660 por tonelada. A deterioração das relações de troca também se intensificou, com indicadores envolvendo soja e MAP, além de milho com MAP e ureia, alcançando os níveis mais elevados das últimas cinco safras. Esse cenário tem afetado o ritmo de comercialização de insumos, com as vendas de fertilizantes para a safra 2026/27 de soja atingindo 34% até meados de março, abaixo da média de cinco anos, de 45%. A redução dos estoques internos amplia a vulnerabilidade do mercado doméstico a atrasos logísticos e falhas na execução das entregas. Esse quadro é agravado pela maior extração de nutrientes do solo nos últimos ciclos, o que diminui o efeito residual normalmente observado após safras menos intensivas. Do ponto de vista operacional, há avaliação de que fósforo e potássio ainda apresentam capacidade de atendimento relativamente adequada para a safra de verão (1ª safra 2026/2027), desde que as disrupções não se prolonguem.

Já os nitrogenados demandam maior atenção, por estarem mais expostos ao choque energético e à dependência da oferta do Oriente Médio, além de sua relevância para aplicações em cobertura e para a 2ª safra de 2026. O cenário atual é caracterizado por três vetores principais de pressão: o logístico, com o Estreito de Ormuz limitando o fluxo de produtos; o industrial, com custos elevados de energia e enxofre impactando a produção; e o geopolítico, com restrições comerciais adicionais reduzindo a oferta global. As perspectivas para 2026 indicam aumento da volatilidade e viés altista para os preços, com risco ampliado de dificuldades nas entregas no Brasil. A evolução do cenário dependerá da normalização logística em Ormuz, do comportamento dos fretes e seguros, da disponibilidade de enxofre e da política de exportações da China, fatores que devem definir tanto o nível de preços quanto a previsibilidade no abastecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.