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18/Mar/2026

Caminhoneiros ameaçam greve contra alta do diesel

A possibilidade de greve nacional dos caminhoneiros ganhou força nos últimos dias e pode ocorrer até o final desta semana, em função da rápida deterioração do cenário de custos do transporte rodoviário. A mobilização avançou após assembleia realizada no dia 16 de março no Porto de Santos (SP), que reuniu lideranças de diferentes regiões do País e deliberou pela paralisação, iniciando articulações com entidades estaduais para ampliar adesão e alinhar uma data unificada. O movimento é impulsionado principalmente pelo aumento dos preços do diesel, intensificado desde o fim de fevereiro em meio à alta do petróleo no mercado internacional, no contexto do conflito no Oriente Médio. O combustível passou a pressionar os custos do transporte, especialmente durante o pico do escoamento da safra.

Na primeira semana de março, o preço médio do diesel S-10 subiu mais de 7% e seguiu avançando, alcançando valores próximos de R$ 6,90 por litro em média nacional, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em cenário de petróleo acima de US$ 100 por barril. O governo federal anunciou no dia 12 de março um pacote de redução de tributos e subvenção ao diesel, mas o efeito foi limitado após reajuste da Petrobras de 11,6% nas refinarias. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) destacou que, mesmo com o aumento, o preço permanece abaixo do mercado internacional, indicando risco de novas pressões. No frete, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou a tabela de pisos mínimos no dia 13 de março, com reajustes de até 7%, acionados pelo aumento superior a 13% no diesel conforme gatilho previsto na Lei nº 13.703/2018.

A categoria aponta que a medida tem alcance limitado sem fiscalização efetiva. Entre as demandas estruturais, constam a implementação do travamento eletrônico da planilha de custo mínimo operacional e a isenção de pedágio para caminhões vazios. A estratégia inicial da categoria prioriza a paralisação voluntária das atividades, sem bloqueios de rodovias, buscando conscientizar transportadores para que não realizem viagens. A possibilidade de mudança para ações mais contundentes permanece caso não haja resposta às reivindicações. Contatos com a Casa Civil ocorreram nesta semana, mas sem avanços significativos para efetivação das medidas solicitadas pelo setor.

O aumento do preço do diesel já começa a reduzir a circulação de caminhões nas estradas brasileiras e pressiona os valores de frete. Transportadores relatam que o custo adicional com combustível, principal item da estrutura de custos, tornou parte das operações inviável, impactando diretamente a oferta de transporte. Em rotas entre Paraná e Minas Gerais, o custo com diesel subiu cerca de R$ 890 em uma semana, sem reajuste correspondente no frete, levando transportadores a reduzir a atividade ou recusar cargas. A volatilidade diária dos preços do combustível, com variações múltiplas ao longo do dia, contribui para a decisão de suspensão parcial das operações e indica tendência de paralisação descentralizada, com veículos sendo mantidos parados nas empresas.

A Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (ANTC) destaca que o reajuste de 11,6% promovido pela Petrobras nas refinarias em 13 de março deve ser refletido nos contratos, estimando aumento entre 10% e 12% no valor do frete. No entanto, parte dos transportadores já considera mais viável manter os caminhões parados do que operar com prejuízo, diante do descompasso entre custo do diesel e receita do transporte. Lideranças sindicais de diferentes Estados reforçam que há articulação em curso, com foco na alta do diesel e necessidade de ajuste nos fretes, mantendo diálogo com o governo e aguardando respostas que possam alterar o cenário de recomposição do valor do transporte. A escalada do preço do petróleo internacional desde o fim de fevereiro, em razão do conflito no Oriente Médio, impulsionou a alta do diesel no Brasil.

Segundo a Associação Nacional do Transporte no Brasil (ANTB), a possibilidade de fechamento de rodovias torna-se iminente caso a paralisação de caminhoneiros se consolide, em meio à escalada do preço do diesel e à defasagem do frete. O movimento passou de ações pontuais para articulação nacional, aprovando paralisação no segmento de contêineres. Contatos foram iniciados com representantes de outros Estados e categorias para ampliar a adesão, com definição de data condicionada à consolidação do movimento. O principal fator de pressão sobre o transporte é o diesel, que já representa parcela significativa do valor do frete, chegando a quase metade em algumas operações. O aumento dos custos reflete a alta do petróleo internacional em função do conflito no Oriente Médio, resultando em reajustes sucessivos no diesel no Brasil, superiores a 15% em alguns Estados desde o fim de fevereiro.

A atualização da tabela de pisos mínimos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não compensou integralmente o aumento do combustível, e os custos adicionais com pneus e componentes também não foram refletidos. A indefinição sobre a Lei nº 13.703/2018, que estabelece os pisos mínimos e aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), reduz a efetividade das autuações aplicadas pela ANTT e gera insegurança jurídica para transportadores. O diálogo com o governo não avançou significativamente desde 2018, enquanto o pacote anunciado no dia 12 de março, com zeragem de PIS/Cofins e subvenção ao diesel, perdeu efeito após reajuste de 11,6% promovido pela Petrobras no dia seguinte. A pressão sobre o transporte tende a ser repassada ao consumidor final, com risco de elevação generalizada de preços nos próximos dias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.