18/Mar/2026
Segundo o BTG Pactual, a rentabilidade das terras agrícolas em Mato Grosso apresenta forte compressão e pode se tornar negativa no cenário mais adverso para a soja. O cap rate das lavouras de grãos no Estado recuou de 20,7% em 2021/22 para 1,8% no cenário médio projetado para a safra 2025/26, podendo atingir -1,6% no pior cenário. O indicador, que relaciona o lucro operacional ao valor de mercado da terra, historicamente se situava entre 5% e 7% para áreas de grãos no Brasil, patamar considerado equilibrado para o setor. A redução recente reflete a combinação entre valorização expressiva das terras e deterioração das margens agrícolas. Nos últimos 15 anos, os preços das terras agrícolas no Brasil avançaram cerca de 12% ao ano, com aceleração no período de 2020 a 2022, sem correção relevante posterior. Em Mato Grosso, o valor médio do hectare está estimado em US$ 11.944. Paralelamente, a queda nas cotações das commodities reduziu de forma significativa a rentabilidade da produção.
No cenário médio para a safra 2025/26, considerando produtividade de 65 sacas de soja e 105 sacas de milho 2ª safra por hectare, a receita bruta é estimada em US$ 2.731 por hectare. Os custos operacionais somam US$ 2.130, enquanto as despesas gerais alcançam US$ 273. O lucro antes de impostos é de US$ 329 por hectare, com resultado líquido de US$ 217 após tributação, resultando em cap rate de 1,8%. No cenário mais adverso, com produtividade de 55 sacas de soja e preços pressionados, a operação apresenta prejuízo operacional de US$ 293 por hectare, levando o cap rate a -1,6%. O ambiente atual indica que os preços das commodities estão próximos ao nível de cobertura de custos, limitando os incentivos para expansão da produção. A reversão desse quadro depende de eventual ajuste nos preços das terras ou de recuperação mais consistente nas cotações da soja e do milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.