13/Mar/2026
A proposta de fusão entre as ferrovias Union Pacific e Norfolk Southern, avaliada em US$ 85 bilhões, pode ampliar os custos logísticos do setor agrícola nos Estados Unidos e reduzir a competitividade dos produtores rurais. A operação prevê a formação da primeira ferrovia de classe I com cobertura de costa a costa no país, consolidando um sistema com aproximadamente 80 mil quilômetros de extensão e presença em 43 Estados. A consolidação logística tende a reduzir a presença de transportadoras independentes em pontos estratégicos de intercâmbio ferroviário, o que pode ampliar a dependência de produtores e embarcadores agrícolas de um único operador em determinados corredores de transporte. O setor agrícola é considerado especialmente sensível a esse tipo de mudança estrutural devido à elevada dependência do transporte ferroviário para escoamento de grãos e outros produtos agrícolas.
Em um ambiente de maior concentração, produtores enfrentam limitações para reagir a aumentos tarifários. A natureza da atividade agrícola dificulta a redução imediata dos embarques ou a substituição do modal ferroviário por alternativas logísticas, levando os agricultores a absorver custos mais elevados por meio da compressão das margens de lucro. Dados do Surface Transportation Board indicam que a participação da agricultura na recuperação de custos das ferrovias aumentou de forma significativa nas últimas décadas. A receita obtida com o transporte de produtos agrícolas acima dos custos variáveis mais que dobrou entre 2004 e 2023, passando de US$ 1,08 bilhão para US$ 2,44 bilhões. O nível de concentração no atendimento logístico também é elevado.
Aproximadamente 95% dos silos de grãos nos Estados Unidos são atendidos por apenas uma ferrovia, fator que reduz a competição no nível local e limita o poder de negociação dos embarcadores agrícolas. Além da questão tarifária, a fusão levanta preocupações relacionadas à confiabilidade do serviço e à resiliência da cadeia de suprimentos. Grandes integrações ferroviárias no passado registraram episódios de falhas operacionais e congestionamentos logísticos durante períodos de transição operacional. Um exemplo histórico citado envolve a fusão entre Union Pacific e Southern Pacific na década de 1990, que resultou em interrupções operacionais significativas e impactos econômicos relevantes para setores dependentes da logística ferroviária.
A redução do número de redes independentes também diminui a redundância do sistema logístico. Em um cenário com menor diversidade de operadores, cadeias de abastecimento de alimentos e fluxos de exportação podem se tornar mais vulneráveis a interrupções provocadas por eventos climáticos, falhas tecnológicas ou gargalos operacionais. Embora as operadoras ferroviárias defendam que operações integradas em linhas contínuas podem gerar ganhos de eficiência, avaliações do setor indicam que, em ambientes com baixa concorrência, esses ganhos nem sempre se traduzem em redução tarifária para embarcadores com acesso limitado a alternativas logísticas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.