13/Mar/2026
O conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos elevou os preços internacionais dos fertilizantes nitrogenados e aumentou a pressão sobre os custos de produção agrícola no Brasil, com impactos potenciais sobre o planejamento da safra 2026/27. A cotação da ureia (CFR Brasil) registrou alta de aproximadamente 30% em uma semana, refletindo a volatilidade do mercado global de energia e insumos.
Apesar da elevação recente dos preços, a maior parte do fertilizante necessário para o cultivo do milho de 2ª safra 2026 já foi adquirida. Estimativas indicam que mais de 95% do volume requerido para essa etapa do calendário agrícola está contratado, reduzindo o risco imediato de interrupção no fornecimento para o ciclo atual.
O cenário de tensão geopolítica, contudo, gera preocupação para o planejamento das próximas safras. Cerca de dois terços dos fertilizantes necessários para as culturas de verão e inverno de 2026/27 ainda não foram comprados, o que expõe produtores à volatilidade de preços e às incertezas sobre a oferta internacional de insumos.
A alta recente dos fertilizantes também deteriora a relação de troca para os produtores, fator que tende a reduzir o ritmo de comercialização antecipada da próxima safra de soja. O ambiente de custos elevados e margens mais pressionadas tem levado a uma postura mais cautelosa nas decisões de compra de insumos e de venda futura da produção.
No cenário atual, não há indicação de escassez de fertilizantes no Brasil, embora a logística internacional permaneça mais complexa em função das tensões no Oriente Médio. A expectativa predominante no mercado é de eventuais ajustes na intensidade tecnológica das lavouras, com possíveis reduções na aplicação de insumos, sem indicação de retração significativa na área cultivada.
Mesmo em caso de eventual redução das tensões geopolíticas, a normalização dos preços de fertilizantes pode ocorrer de forma gradual. A retomada da produção de petróleo e gás natural, insumos fundamentais para a fabricação de fertilizantes nitrogenados, exige tempo para recomposição das cadeias produtivas e regularização das operações industriais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.