13/Mar/2026
O Grupo Belagrícola concluiu a venda da planta de beneficiamento de sementes de soja e trigo e do silo de recebimento de grãos localizados em Tamarana (PR) para a Coamo Cooperativa Agroindustrial, maior cooperativa agroindustrial do Brasil, com receita de R$ 28,8 bilhões em 2025. A operação foi realizada por meio da empresa DBR, integrante do grupo, e envolve ativos que eram utilizados na operação da subsidiária Bela Sementes. O silo era arrendado pela Belagrícola e a unidade de beneficiamento era operada pela Bela Sementes. Em nota, a companhia informou que a marca Bela Sementes permanece sob propriedade do grupo e que a transação integra a estratégia de "otimização de ativos e reforço da eficiência operacional".
A venda faz parte de um movimento mais amplo de reorganização de estruturas no setor. Nos últimos meses, a Coamo adquiriu também quatro unidades de armazenagem em Cambé, Sabáudia, Assaí e Bela Vista do Paraíso, no Norte do Paraná, num investimento de R$ 136 milhões. As instalações pertenciam ao Fundo Pátria e estavam arrendadas pela Belagrícola. Em paralelo, a Cocamar Cooperativa Agroindustrial arrendou sete unidades da distribuidora no estado de São Paulo, e a Lar Cooperativa Agroindustrial firmou acordo para operar lojas de insumos na região do Noroeste do Paraná. Coamo e Lar também fecharam acordo com a Belagrícola para receber grãos em 19 unidades da distribuidora no Paraná durante a safra 2025/2026. A transação ocorre enquanto a Belagrícola conduz processo de reestruturação financeira.
Em dezembro de 2025, a companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 2,2 bilhões em dívidas quirografárias, dentro de um passivo total estimado em R$ 3,8 bilhões, envolvendo cerca de 9,7 mil credores. Em petição apresentada na semana passada, informou ter obtido adesão de 1.428 credores ao plano, equivalentes a 51,31% dos créditos sujeitos à renegociação. A empresa tenta manter o processo no formato extrajudicial e unificado para as cinco empresas do grupo. Em decisão de 26 de fevereiro, o juiz Pedro Ivo Lins Moreira, da 26ª Vara Cível e Empresarial de Curitiba, rejeitou a estrutura apresentada e determinou reformulação em 15 dias, com duas alternativas: converter o caso em recuperação judicial ou apresentar planos extrajudiciais individualizados por CNPJ.
O processo ganhou nova complicação em 10 de março, quando a presidência do Tribunal de Justiça do Paraná determinou a remessa dos autos à Vara de Falências de Londrina, em meio a uma disputa institucional sobre a competência das varas de falências no estado que ainda está sendo analisada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Fundada em 1985 em Bela Vista do Paraíso (PR) e controlada pelo grupo chinês Pengdu desde 2017, a Belagrícola atua na distribuição de insumos, produção de sementes e armazenagem de grãos, com 52 lojas e 58 unidades de armazenagem. Em 2024, registrou receita de R$ 4,7 bilhões, queda de 39% em relação ao ano anterior, e prejuízo superior a R$ 400 milhões. A empresa atende cerca de 10 mil produtores rurais no Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Fonte: Broadcast Agro.