13/Mar/2026
A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã voltou a pressionar as cotações internacionais do petróleo e ampliou a defasagem dos combustíveis nas refinarias da Petrobras em relação ao mercado externo. Levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indica que a diferença de preços do diesel chegou a 50% na comparação com os valores praticados no Golfo do México.
A estatal brasileira não realiza reajustes no diesel há 311 dias. Segundo a Abicom, as janelas de importação do combustível permanecem fechadas há 58 dias, refletindo a perda de competitividade frente aos preços domésticos praticados no País. O mercado brasileiro depende de importações e de refinarias privadas para suprir parte da demanda por diesel. Estimativas indicam que cerca de 30% do consumo nacional do combustível é atendido por essas fontes adicionais, o que aumenta o risco de restrições de oferta caso o descompasso de preços persista.
Para alinhar os valores domésticos às cotações internacionais, o preço do diesel nas refinarias da Petrobras precisaria subir aproximadamente R$ 1,61 por litro. No caso da gasolina, o ajuste estimado seria de R$ 0,72 por litro, segundo cálculos da Abicom. A defasagem da gasolina nas refinarias da estatal foi estimada em 29% no fechamento mais recente. A política de preços da Petrobras busca evitar a transmissão integral da volatilidade do mercado internacional para o consumidor brasileiro. Entretanto, a continuidade da guerra no Oriente Médio tende a elevar a pressão por reajustes adicionais no mercado interno.
Entre as refinarias privadas, a Refinaria de Mataripe, localizada em Bahia e controlada pela Acelen, do grupo Mubadala, promoveu novo reajuste nos combustíveis. O diesel teve aumento de R$ 0,814 por litro, enquanto a gasolina subiu R$ 0,443 por litro, marcando o quarto reajuste realizado pela unidade ao longo do mês. Na média nacional, a defasagem do diesel foi estimada em 41% e a da gasolina em 23%, considerando taxa de câmbio de R$ 5,16 por dólar e a cotação do petróleo Brent acima de US$ 97 por barril.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou a sinalização da Abicom de que empresas podem suspender as importações de combustíveis caso a Petrobras não promova reajustes nos preços domésticos. Na avaliação da entidade sindical, a ameaça de interrupção das importações de diesel e gasolina representaria uma tentativa de pressionar o mercado por meio da redução da oferta, o que poderia comprometer o abastecimento no Brasil. A entidade sustenta que combustíveis são insumos essenciais e não deveriam ser utilizados como instrumento de pressão para reajustes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.