12/Mar/2026
A defasagem entre os preços domésticos de combustíveis e as cotações internacionais manteve-se elevada nas refinarias da Petrobras, com o diesel sendo comercializado 48% abaixo do valor de referência externo e a gasolina 25% inferior ao mercado internacional. A diferença abre espaço potencial para reajustes estimados em R$ 1,55 por litro no diesel e R$ 0,62 por litro na gasolina, conforme cálculos do mercado de importação de combustíveis.
O cenário ocorre em um contexto de maior volatilidade no mercado internacional de petróleo. A expectativa de liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas, proposta pela Agência Internacional de Energia, ampliou as oscilações nas cotações da commodity. Após encerrar o pregão anterior a US$ 90 por barril, o Brent para maio era negociado a US$ 91,93 por barril por volta de 9h55, com alta de 4,70%, tendo registrado no mercado overnight mínima intradiária de US$ 86,24 por barril, queda de 1,78%.
A política de preços da Petrobras foi alterada em 2023, quando a companhia substituiu a política de paridade de importação por uma estratégia comercial própria. Nesse contexto, o preço do diesel permanece sem reajuste há 310 dias, enquanto o preço da gasolina registrou redução de R$ 0,14 por litro em janeiro. Em paralelo, outras refinarias adotaram ajustes recentes. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, controlada pelo grupo Mubadala, elevou o preço da gasolina em R$ 0,21 por litro e havia reajustado o diesel na semana anterior em mais de 20%. Com isso, a diferença do diesel em relação ao mercado internacional nessa refinaria foi reduzida para 14%, enquanto a defasagem da gasolina ficou em 2%.
A manutenção de preços internos abaixo das referências internacionais pode afetar o equilíbrio do abastecimento, uma vez que importações e produção de refinarias privadas respondem por aproximadamente 20% a 30% do consumo de diesel no Brasil, dependendo do período do ano. Nesse contexto, a ausência de reajustes limita a atratividade das importações e reduz o incentivo econômico para agentes privados ampliarem a oferta do produto no mercado doméstico, ao mesmo tempo em que restringe o potencial de aumento de receita associado aos preços mais elevados observados no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.