11/Mar/2026
A Argentina vem ampliando sua relevância no setor global de petróleo e gás, consolidando crescimento da produção e fortalecendo perspectivas de integração energética com países da América do Sul, especialmente o Brasil. A produção de petróleo alcançou cerca de 860 mil barris de óleo equivalente por dia em janeiro, nível recorde que sustenta projeções da indústria indicando capacidade de oferta próxima de 1,5 milhão de barris de óleo equivalente por dia no médio prazo. O avanço da produção tem atraído capital estrangeiro e ampliado o interesse internacional no setor energético argentino. O ambiente macroeconômico mais estável, mudanças regulatórias e o elevado potencial das reservas contribuem para sustentar a expansão da atividade e o aumento dos investimentos. O principal vetor desse crescimento é a formação de Vaca Muerta, uma das maiores reservas mundiais de hidrocarbonetos não convencionais.
A exploração dessa área, baseada na produção de petróleo de xisto, vem elevando a oferta argentina e ampliando a participação do país no comércio internacional de energia. Em 2025, petróleo e gás representaram aproximadamente 12% das exportações argentinas. Projeções indicam que, caso as exportações alcancem entre 350 mil e 400 mil barris por dia em média em 2026, uma elevação de US$ 10 no preço internacional do petróleo poderia gerar receitas adicionais entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão por ano, equivalentes a cerca de 0,1% a 0,2% do Produto Interno Bruto do país. A expansão da produção também tem estimulado investimentos em infraestrutura energética, incluindo projetos de transporte e exportação de gás natural liquefeito. O aumento da capacidade logística e o desenvolvimento da infraestrutura de escoamento tendem a ampliar a competitividade do gás argentino nos mercados regionais e globais. Para o Brasil, a evolução da produção energética na Argentina apresenta implicações relevantes em diferentes segmentos.
O fornecimento de gás natural pode contribuir para a produção de fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia, além de atender à demanda de termelétricas de rápida resposta no sistema elétrico. Projetos de integração energética também avançam no âmbito regional. Um memorando firmado entre Brasil e Argentina prevê a possibilidade de importação gradual de gás natural argentino, com volumes estimados em 2 milhões de metros cúbicos por dia no curto prazo, ampliando para 10 milhões de metros cúbicos diários em cerca de três anos e podendo alcançar 30 milhões de metros cúbicos por dia até 2030. O modelo considera a utilização da infraestrutura de transporte existente na Bolívia mediante pagamento de tarifas de trânsito. Apesar do potencial de expansão, persistem desafios relacionados à infraestrutura logística, à coordenação regulatória entre países e à possibilidade de interrupções no fornecimento durante períodos de maior consumo interno na Argentina, especialmente em momentos de temperaturas mais baixas.
A continuidade dos investimentos e a consolidação da infraestrutura de transporte e exportação tendem a posicionar a Argentina como fornecedor relevante de energia na América do Sul ao longo da próxima década, ampliando oportunidades de integração regional e diversificação das fontes de suprimento energético. A Petrobras, que hoje compra 7 milhões de metros cúbicos de gás natural da Bolívia, vê espaço para aumentar a importação do energético oriundo da Argentina. Em outubro, a estatal informou que fechou contrato com a Pluspetrol para importação de volumes de gás natural não convencional de Vaca Muerta, produzidos na Bacia de Neuquén. Pelo contrato, a Petrobras pode importar até 2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, na modalidade interruptível conforme identifique oportunidades comerciais. O gás foi transportado via gasodutos, da Argentina até a Bolívia e de lá até o Brasil. Sempre que houver disponibilidade de gás e demanda no Brasil, essa importação ocorre. A Petrobras não é a única envolvida, diversas empresas estão trabalhando nisso. No futuro, caso haja interesse mútuo, esse fluxo pode se intensificar e se tornar mais constante", comentou. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.