11/Mar/2026
A Petrobras passou a adotar um sistema de fracionamento diário (“cota-dia”) das retiradas de diesel no Brasil reflete a intensificação das pressões sobre o abastecimento nacional em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo e à suspensão das importações do combustível. O mecanismo limita a retirada antecipada de volumes pelas distribuidoras ao dividir o volume mensal contratado em cotas diárias, com o objetivo de evitar formação de estoques adicionais em um ambiente de expectativa de reajuste de preços.
A medida ocorre em um contexto de forte disparidade entre os preços domésticos e as cotações internacionais. No fechamento recente do mercado global de petróleo, o diesel comercializado no Brasil apresentava defasagem de cerca de 60% em relação aos valores praticados no mercado externo, o que indicaria potencial de ajuste de aproximadamente R$ 1,94 por litro para recompor a paridade internacional.
O cenário de preços internos abaixo da referência externa reduziu a atratividade das importações do combustível, resultando na suspensão de compras por parte de agentes privados. A produção nacional cobre aproximadamente 70% da demanda doméstica de diesel, enquanto cerca de 30% dependem de importações. A interrupção desses fluxos amplia os riscos de desbalanceamento entre oferta e consumo no mercado brasileiro.
A limitação de retiradas diárias tem sido interpretada por agentes do setor como um mecanismo semelhante a racionamento, normalmente aplicado em períodos de escassez ou de risco de corrida por estoques. O movimento ocorre em um ambiente de maior procura por parte de grandes consumidores que buscam ampliar reservas enquanto os preços internos permanecem abaixo do mercado internacional.
Os estoques privados disponíveis no País são estimados para um período máximo de cerca de 15 dias, o que aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais interrupções no fluxo de suprimento. Em caso de continuidade da suspensão das importações, o risco de desabastecimento tende a surgir inicialmente nas regiões mais dependentes de produto importado, como o Nordeste e o Rio Grande do Sul.
Refinarias privadas no Brasil já realizaram repasses sucessivos de alta nos preços do diesel, enquanto os valores de referência no principal fornecedor nacional permanecem inalterados. Parte dos agentes do setor avalia que um ajuste nos preços domésticos poderia restabelecer a competitividade das importações e reduzir o risco de restrições de oferta no mercado interno.
O impacto já começa a ser percebido por empresas autorizadas a adquirir combustível a granel e revendê-lo diretamente ao consumidor final, especialmente no segmento de transporte, construção, indústria e abastecimento rural. Nesse mercado, a estratégia adotada tem sido fracionar entregas para evitar interrupção total do fornecimento aos clientes, com relatos de maior pressão inicial em regiões com forte presença do agronegócio.
Autoridades regulatórias informaram ter recebido comunicações sobre dificuldades pontuais na aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. Apesar desses relatos, a avaliação é de que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular na principal refinaria que abastece a região. O Estado apresenta produção superior ao consumo local e mantém níveis considerados regulares de estoques, sem identificação de fatores técnicos ou operacionais que justifiquem eventuais recusas no fornecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.