10/Mar/2026
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) decidiu que o plano de recuperação judicial da AgroGalaxy não pode impedir a cobrança de avalistas e fiadores das dívidas da empresa. Na prática, quem deu garantias a créditos contra a rede de lojas de insumos agrícolas continua responsável pelo pagamento mesmo após a renegociação do passivo da companhia com seus credores. A decisão foi tomada pela 11ª Câmara Cível do tribunal em sessão realizada na quinta-feira (05/03) e publicada no Diário de Justiça nesta segunda-feira (09/03). O julgamento, relatado pelo desembargador Breno Caiado, analisou recurso apresentado pela Eco Securitizadora de Direitos Creditórios do Agronegócio contra a homologação do quarto plano de recuperação judicial do grupo. Ao examinar o caso, os desembargadores entenderam que a recuperação judicial reorganiza as dívidas da empresa, mas não pode alterar automaticamente as obrigações de terceiros que deram garantias aos créditos. Segundo o colegiado, a extensão dos efeitos do plano a avalistas e fiadores é incompatível com a Lei de Recuperação Judicial.
O tribunal também derrubou uma cláusula do plano que previa o cancelamento automático de registros de inadimplência e protestos em nome desses garantidores após a homologação do acordo. Por outro lado, o TJ-GO manteve as condições previstas para os credores sem garantia real. O plano estabelece desconto de 85% sobre o valor original das dívidas, três anos de carência e pagamento do saldo em 26 parcelas semestrais corrigidas pela TR mais 0,5% ao ano. Para o colegiado, essas condições fazem parte da negociação entre a empresa e seus credores e não podem ser revistas pelo Judiciário quando aprovadas em assembleia. Os desembargadores também consideraram válido o tratamento diferenciado concedido aos chamados "credores colaboradores", fornecedores que continuaram prestando serviços ou entregando insumos à empresa durante o processo de recuperação. A decisão ocorre em meio ao processo de reestruturação da companhia. A AgroGalaxy entrou em recuperação judicial em setembro de 2024 com cerca de R$ 4,6 bilhões em dívidas.
O plano foi aprovado por 82,4% dos credores e homologado pela Justiça em 30 de maio de 2025. Desde então, a empresa vem reduzindo o tamanho da operação. A rede de lojas caiu de cerca de 170 unidades antes da recuperação para 63 pontos de venda. Em janeiro deste ano, a companhia suspendeu as operações da subsidiária Sementes Campeã como parte de ajustes estruturais diante de um cenário considerado desafiador para o mercado agrícola em 2026. No mês seguinte, a AgroGalaxy também promoveu mudanças na administração. Em 4 de fevereiro, o CEO Eron Martins e o CFO Luiz Conrado Sundfeld deixaram os cargos. Luiz Gabriel Piovezani Silva, que era vice-presidente de Suprimentos desde outubro de 2025, assumiu a presidência da companhia e passou a acumular interinamente as funções de diretor financeiro e de relações com investidores. No terceiro trimestre de 2025, último balanço divulgado, a AgroGalaxy registrou receita líquida de R$ 417,9 milhões, queda de 65,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O prejuízo líquido ajustado foi de R$ 611,8 milhões. Fonte: Broadcast Agro.