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10/Mar/2026

Diesel: defasagem cresce e ameaça abastecimento

A escalada das tensões no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo para patamares superiores a US$ 100 por barril e provocou paralisação no mercado brasileiro de diesel. O temor de que os preços internacionais dos derivados não sejam repassados ao mercado interno levou agentes do setor a suspenderem importações do combustível, interrompendo a chegada de novos carregamentos ao País. O diesel comercializado no Brasil apresenta defasagem recorde de 85% em relação às referências internacionais. Esse descompasso abre espaço potencial para um reajuste estimado em R$ 2,74 por litro. O produto permanece sem correção de preços há mais de 300 dias, ampliando a diferença frente às cotações externas. Em outra refinaria relevante do mercado nacional, os preços do diesel registraram elevação de 26% ao longo de março, embora ainda permaneçam com defasagem estimada em 42% em relação ao mercado internacional.

A suspensão das importações ocorre em um contexto de dependência relevante do Brasil em relação ao diesel externo. Aproximadamente 30% do consumo nacional depende de produto importado, com grande parte originada da Rússia. Diante da paralisação das compras externas, as estimativas indicam que os estoques atualmente disponíveis no País garantem o abastecimento por cerca de 15 dias. O mercado interno apresenta limitações estruturais de oferta. Outras refinarias instaladas no País não possuem capacidade suficiente para suprir integralmente a demanda doméstica, o que tem gerado formação de filas para aquisição de combustível nas unidades de refino. A manutenção prolongada desse cenário eleva o risco de desabastecimento. No caso da gasolina, a situação apresenta menor grau de risco, uma vez que cerca de 10% do consumo depende de importações. Já o diesel possui participação externa significativamente maior, ampliando a vulnerabilidade do mercado brasileiro a oscilações no comércio internacional de combustíveis.

Medidas alternativas de redução da demanda por diesel, como aumento da mistura obrigatória de biodiesel, apresentam limitações econômicas, uma vez que o biocombustível possui custo mais elevado. Situação semelhante ocorre com a gasolina, cuja mistura atual de etanol em torno de 30% também enfrenta pressão de preços, limitando a viabilidade de elevação adicional da participação do biocombustível sem impacto inflacionário. No mercado internacional, o petróleo Brent iniciou o período de negociações próximo de US$ 120 por barril, recuando posteriormente para níveis próximos de US$ 100 ao longo do pregão. O movimento reflete a consolidação das expectativas de um choque de oferta no mercado global de petróleo, em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. As interrupções nos fluxos de petróleo e os ataques à infraestrutura energética na região têm reforçado as preocupações com a disponibilidade global da commodity.

O prolongamento das restrições logísticas amplia a dificuldade de compensação da oferta por parte de outros produtores. Diante da elevação dos preços da energia, países do G7 avaliam a possibilidade de recorrer a reservas estratégicas de petróleo, medida semelhante à adotada em 2022 durante o início do conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar de contribuir para aliviar parte da pressão no curto prazo, essa estratégia não é considerada suficiente para neutralizar integralmente os impactos de eventuais restrições logísticas na região do Estreito de Ormuz. A continuidade das limitações no fluxo de petróleo e derivados tende a sustentar o viés de valorização das cotações internacionais enquanto não houver articulação entre os países do Oriente Médio, o Irã e outros grandes produtores globais para recompor o volume de oferta perdido desde o início do conflito, que se aproxima de dez dias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.