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10/Mar/2026

Insumos: Lavoro avança na reorganização operacional

A Lavoro avançou em seu processo de reorganização empresarial com a transferência da gestão da operação de distribuição de insumos agrícolas no Brasil para a Arcos Gestão e Investimento. A mudança entrou em vigor em 6 de março de 2026 e ocorre no contexto da venda dessa unidade de negócios para um novo administrador responsável por conduzir a reestruturação da operação. A transação envolve a transição da vertical de distribuição de insumos agrícolas da companhia para gestão especializada em reestruturação empresarial. Os valores e os detalhes financeiros da operação não foram divulgados.

O movimento ocorre após uma série de desinvestimentos iniciada em dezembro de 2025, quando a empresa transferiu sua participação majoritária na divisão Crop Care, que reúne Agrobiológica, Cromo Química e Union Agro, para fundos geridos pelo Pátria Investimentos. Criada em 2017 com estratégia de consolidação do mercado brasileiro de distribuição de insumos agrícolas, a companhia expandiu sua presença por meio de aquisições, realizando mais de 20 operações no setor. Em março de 2023, a empresa abriu capital na Nasdaq como parte de sua estratégia de expansão.

A deterioração financeira da companhia se intensificou no segundo semestre de 2024, quando houve escassez relevante de estoques durante o pico da temporada de plantio de soja, entre novembro e dezembro daquele ano. O episódio ocorreu em um contexto de margens mais pressionadas no campo e maior restrição de crédito na cadeia de distribuição de insumos. O cenário resultou no fechamento de cerca de 70 lojas da rede, aproximadamente um terço do total de unidades, além da suspensão temporária da estratégia de aquisições que havia sustentado a expansão da empresa nos anos anteriores.

Em junho de 2025, a companhia apresentou plano de recuperação extrajudicial com o objetivo de reestruturar aproximadamente R$ 2,5 bilhões em dívidas com fornecedores de insumos agrícolas. O plano foi homologado em 24 de novembro de 2025 pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, tornando o acordo vinculante para todos os credores elegíveis. O acordo prevê pagamento integral em dez parcelas semestrais corrigidas pelo IPCA até 2030 para credores que aderiram voluntariamente ao plano. Para os não aderentes, foi estabelecida parcela única em 2032 com desconto de 50% sobre o valor devido.

Resultados preliminares e não auditados do ano fiscal encerrado em junho de 2025 indicaram queda de aproximadamente 34% na receita consolidada da empresa, para cerca de R$ 6,2 bilhões. No mesmo período, o lucro bruto recuou aproximadamente 33%, para cerca de R$ 900 milhões. O desempenho foi influenciado principalmente pela escassez de estoques no varejo brasileiro durante momentos-chave da temporada de vendas de insumos, resultando em cancelamentos relevantes de pedidos.

Em fevereiro de 2026, a empresa concluiu o processo de retirada de suas ações da Nasdaq. O último pregão ocorreu por volta de 23 de fevereiro, enquanto o cancelamento formal do registro foi realizado em torno de 24 de fevereiro. A decisão foi motivada pelo ambiente desafiador do mercado brasileiro nos ciclos agrícolas recentes, pelos custos elevados associados à manutenção do status de companhia aberta nos Estados Unidos e pelo baixo volume de negociação das ações.

No campo da gestão, a companhia passou por mudanças na liderança. A partir de 1º de dezembro de 2025, Marcelo Pessanha assumiu o cargo de diretor-presidente, substituindo Ruy Cunha, que ocupava a posição desde fevereiro de 2022. Antes da nomeação, Pessanha exercia a vice-presidência de Vendas, Marketing e Operações da Lavoro Brasil desde julho de 2024 e havia sido diretor-presidente da divisão Crop Care entre abril de 2022 e julho de 2024. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.