10/Mar/2026
A elevação dos preços internacionais dos fertilizantes associada ao conflito no Oriente Médio pode pressionar os custos de produção do agronegócio brasileiro na safra 2026/27, cuja semeadura começa a partir de setembro. O impacto tende a ocorrer principalmente nos fertilizantes nitrogenados, considerando a elevada dependência do Brasil de insumos importados da região.
No curto prazo, não há comprometimento da safra atual. A colheita da soja está em andamento no Brasil e os fertilizantes destinados às culturas de inverno já foram majoritariamente entregues às lavouras. Dessa forma, os insumos necessários ao ciclo produtivo em curso já estão disponíveis ou previamente contratados pelos produtores.
Apesar da normalidade no abastecimento, os preços dos nitrogenados importados já registram aumento em algumas regiões produtoras. Em determinadas áreas de Mato Grosso, a elevação alcança aproximadamente 20%. A região do Oriente Médio responde por cerca de 35% da ureia internalizada pelo Brasil, o que amplia a sensibilidade do mercado doméstico a eventuais disrupções na oferta ou elevação dos custos logísticos e energéticos.
Como a maior parte do pacote de insumos da safra atual já foi adquirida ou contratada antecipadamente, os novos patamares de preços ainda não foram integralmente incorporados ao custo de produção das lavouras em andamento. No entanto, caso os valores permaneçam elevados ao longo dos próximos meses, o impacto tende a se refletir na formação de custos da próxima safra de soja.
A intensidade dos efeitos dependerá da duração do conflito e de seus desdobramentos sobre o comércio internacional de fertilizantes. A continuidade das tensões pode exigir estratégias de diversificação de fornecedores e eventual busca por mercados alternativos para suprimento dos volumes atualmente originados nos países da região. No comércio exterior, o Irã responde por cerca de 23% das exportações brasileiras de milho. Eventuais alterações no fluxo comercial poderiam ser parcialmente compensadas pelo aumento da demanda doméstica, especialmente em Mato Grosso, principal produtor nacional do cereal.
O Estado registra expansão da indústria de etanol de milho, com novos projetos em implantação. A previsão é de acréscimo de capacidade de processamento entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas de milho no curto a médio prazo, o que pode ampliar o consumo interno do cereal e reduzir a dependência de determinados mercados externos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.