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09/Mar/2026

Insumos: 3tentos divulga os resultados de 2025

A 3tentos encerrou 2025 com lucro líquido recorde de R$ 808,7 milhões, crescimento de 6,9% em relação a 2024. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 82,4 milhões, queda de 39,4% na comparação anual, refletindo principalmente a elevação dos custos logísticos no período. A receita operacional líquida no quarto trimestre somou R$ 4,37 bilhões, avanço de 13,3% frente ao mesmo intervalo do ano anterior. O Ebitda ajustado com hedge atingiu R$ 236,7 milhões, retração de 41,2%, com margem de 5,4%. No acumulado de 2025, a receita totalizou R$ 16,4 bilhões, crescimento de 28,1%, enquanto o Ebitda ajustado alcançou R$ 1,02 bilhão, alta de 2,3%, com margem de 6,2%.

A expansão da receita ao longo do ano superou o crescimento do resultado operacional em razão do aumento dos custos, especialmente de logística. No quarto trimestre, as despesas com vendas, que incluem transporte e distribuição, totalizaram R$ 571,6 milhões, alta de 83,4% em relação ao mesmo período de 2024, passando a representar 13,1% da receita líquida, ante 8,1% um ano antes. O aumento do frete esteve ligado principalmente à expansão das operações com milho e ao crescimento geográfico da companhia, que ampliou a originação e a comercialização do grão em preparação para o início da operação de sua primeira usina de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT), no Vale do Araguaia. Parte relevante desse volume foi transportada por rodovia até portos de exportação, em rotas longas que elevaram o custo logístico médio.

Outro fator que pressionou os custos no trimestre foi a movimentação de trigo e canola no Rio Grande do Sul, colhidos no final do ano. Parte desses volumes foi transportada no período, mas comercializada posteriormente, gerando descasamento temporário entre despesas logísticas e receita. Apesar da pressão sobre as margens, todos os segmentos da companhia registraram crescimento ao longo de 2025. No segmento de insumos, o lucro bruto ajustado somou R$ 687,1 milhões, avanço de 35,2%, com margem de 20,2%, o maior nível dos últimos dois anos. O segmento de grãos registrou expansão de 60,7% na receita, impulsionado pela safra elevada em Mato Grosso e pela ampliação das operações. Na divisão industrial, houve aumento nos volumes de biodiesel e farelo de soja, mesmo com paradas programadas em duas unidades no trimestre.

A companhia encerrou o ano com dívida líquida de R$ 1,6 bilhão. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado com hedge ficou em 1,56 vez, considerada confortável frente ao nível de investimentos realizados no período. Em 2025, a empresa realizou capex recorde de R$ 1,7 bilhão, destinado principalmente à expansão da capacidade industrial e à construção de uma nova unidade de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT). Aproximadamente 90% dos investimentos foram direcionados à área industrial, sendo dois terços para a usina de etanol e o restante para ampliação das unidades de processamento de soja e produção de biodiesel.

As plantas industriais de Ijuí (RS), Cruz Alta (RS) e Vera (MT) passaram por expansão ao longo do ano. A capacidade de esmagamento de soja cresceu cerca de 50%, enquanto a produção de biodiesel avançou mais de 60%. Em Vera (MT), a capacidade de processamento passou de 3 mil para 4,8 mil toneladas de soja por dia, enquanto a produção de biodiesel aumentou de 1 mil para 1,5 mil metros cúbicos diários. Em Ijuí (RS), a capacidade de biodiesel subiu de 850 metros cúbicos para 1,5 mil metros cúbicos por dia, além da adaptação da planta para iniciar o processamento de canola.

A nova unidade de etanol de milho no Vale do Araguaia está praticamente concluída e deve entrar em operação no primeiro trimestre de 2026. O empreendimento é financiado com recursos próprios, debêntures verdes e apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A companhia também anunciou a aquisição da Grão Pará Bioenergia, em Redenção (PA), para implantação de uma nova planta de etanol de milho e produção de DDGS, projeto estimado em R$ 1,15 bilhão e com conclusão prevista para o segundo semestre de 2028, sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Para 2026, a empresa projeta expansão relevante das operações. A originação total de grãos deve atingir 6,926 milhões de toneladas, ante 6,145 milhões estimados para 2025. A originação de soja deve crescer de 4,105 milhões para 4,8 milhões de toneladas. No complexo milho, a companhia projeta originação de 1,5 milhão de toneladas, com produção estimada de 298 milhões de litros de etanol e 190 mil toneladas de DDGs. Já no complexo soja, o processamento deve avançar de 2,56 milhões para 3,09 milhões de toneladas, enquanto a produção de farelo deve crescer de 1,865 milhão para 2,443 milhões de toneladas.

A companhia também projeta melhora gradual na relação entre frete e receita ao longo de 2026, impulsionada pela industrialização do milho na nova usina de etanol e pelo aumento da capacidade de processamento de soja nas plantas existentes. Relatórios de instituições financeiras classificaram os resultados do quarto trimestre como mistos. Embora a receita e o desempenho do segmento de insumos tenham superado estimativas, os custos logísticos pressionaram o resultado operacional.

Analistas do BTG Pactual destacaram que os custos de frete, armazenagem e expedição por tonelada cresceram cerca de 60% na comparação anual no quarto trimestre, levando o custo logístico a representar aproximadamente 21% da receita da divisão de grãos e farelo de soja no período. Apesar da pressão sobre as margens, o banco manteve recomendação de compra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 26. A análise da XP Investimentos apontou como destaque positivo a margem bruta do segmento de insumos, que atingiu 23,2% no trimestre, o maior nível desde o quarto trimestre de 2022.

O braço financeiro da companhia, a TentosCap, encerrou 2025 com carteira de crédito de R$ 467,8 milhões, crescimento de 109,3% em relação ao final de 2024. As receitas de intermediação financeira somaram R$ 73,5 milhões, alta de 108,3% no período. No quarto trimestre, a instituição realizou suas primeiras operações de CPR em dólar, instrumento utilizado para gestão de risco cambial pelo produtor rural. A empresa encerrou 2025 com 73 lojas de insumos e originação de grãos, sendo 59 no Rio Grande do Sul e 14 em Mato Grosso, apoiadas por 206 consultores técnicos. Para 2026, a companhia planeja abrir até 10 novas unidades nos Estados do Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais, com meta de alcançar cerca de 100 lojas até 2030. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.