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09/Mar/2026

Fertilizantes: conflito pode elevar custos do Agro

O agravamento do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tendem a pressionar os preços globais de fertilizantes e elevar os custos de produção agrícola, segundo avaliação baseada em análise recente do mercado internacional de insumos. O estreito, localizado entre o Irã e a Península Arábica, constitui uma das principais rotas do comércio mundial de fertilizantes, por onde transita aproximadamente um terço das exportações globais do insumo.

Antes mesmo da escalada mais recente das tensões geopolíticas, os preços do NPK, referência para fertilizantes compostos, já acumulavam alta de 9% no ano e operavam mais de um desvio padrão acima da relação histórica com o preço da soja. A interrupção ou restrição logística na região tende a reforçar essa pressão altista, elevando o custo dos insumos utilizados na produção agrícola.

Para o Brasil, o risco de escassez imediata é considerado limitado, uma vez que a maior parte dos fertilizantes importados pelo País tem origem em fornecedores como Rússia, China, Canadá, Marrocos e Egito, rotas que não dependem diretamente do Estreito de Ormuz. A principal exposição direta está nas importações de NPK provenientes da Arábia Saudita, que responderam por cerca de 10% do total importado nos últimos anos.

Outro fator que reduz a pressão imediata é o calendário de compras para a próxima temporada agrícola. As aquisições mais intensas de fertilizantes destinadas à safra 2026/27 devem ocorrer apenas a partir de meados do ano, o que cria uma janela para que o mercado avalie os desdobramentos do conflito e eventuais ajustes logísticos no comércio internacional.

Apesar da menor probabilidade de desabastecimento, a elevação dos preços permanece como principal risco para o setor agrícola. O peso dos fertilizantes na estrutura de custos das lavouras é relevante. Em operações agrícolas de grande escala, o insumo pode representar cerca de 22% dos custos totais de produção, evidenciando a sensibilidade do setor às variações de preço no mercado internacional.

O cenário de alta tende a beneficiar empresas ligadas à comercialização de fertilizantes, cujas receitas acompanham historicamente as variações nos preços de importação do produto no Brasil. Em ciclos anteriores de valorização dos insumos, produtores de fertilizantes registraram margens elevadas, refletindo o impacto direto da escalada de preços no mercado global.

No mercado de milho, o impacto direto do conflito é considerado limitado. Em 2025, aproximadamente 22% das exportações brasileiras do cereal tiveram o Irã como destino, participação que corresponde a cerca de 5% da produção nacional. Entretanto, efeitos indiretos podem surgir caso restrições no fornecimento de fertilizantes afetem a produtividade agrícola em outras regiões produtoras, especialmente nos Estados Unidos, que se aproximam do início do plantio da safra. Eventuais perdas de produtividade poderiam sustentar os preços internacionais das commodities agrícolas.

No segmento de proteínas animais, o impacto potencial mais relevante recai sobre o setor de frango. Aproximadamente 30% das exportações brasileiras da proteína têm como destino o Oriente Médio, região caracterizada por pagar preços acima da média global. A escalada do conflito pode alongar rotas logísticas e elevar custos de transporte, resultando em preços finais mais elevados ao consumidor, compressão das margens dos exportadores ou combinação de ambos os fatores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.