09/Mar/2026
A agricultura da União Europeia intensificou a pressão por medidas emergenciais no âmbito do futuro Plano de Ação para Fertilizantes, diante da elevação dos custos de insumos e da forte dependência de fornecedores externos para o suprimento de nutrientes essenciais. A avaliação predominante no setor produtivo aponta riscos à viabilidade econômica das propriedades rurais e à segurança alimentar do bloco caso não haja ajustes nas políticas regulatórias e comerciais relacionadas ao mercado de fertilizantes.
Dados recentes indicam que a participação dos fertilizantes nos custos específicos das lavouras aumentou de 44% em 2019 para 53% em 2023. Esse avanço nos custos tem sido associado à redução de produtividade em propriedades especializadas na produção de cereais e oleaginosas, evidenciando o impacto direto da elevação dos preços dos insumos sobre a rentabilidade agrícola e o desempenho produtivo.
No campo regulatório, produtores defendem a suspensão temporária do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) para o setor de fertilizantes. O instrumento estabelece a taxação de produtos importados com base na intensidade de emissões de carbono durante o processo produtivo. A proposta de suspensão temporária busca reduzir incertezas relacionadas à precificação do carbono e limitar impactos adicionais sobre os custos da cadeia agroalimentar.
Outra demanda envolve a interrupção temporária de tarifas de importação e medidas antidumping aplicadas a fertilizantes considerados essenciais, incluindo ureia, UAN e formulações NPK. A medida tem como objetivo ampliar a disponibilidade de insumos no mercado europeu e reduzir a pressão financeira sobre os produtores, em um contexto de elevada dependência de importações para atender à demanda por nitrogênio, fósforo e potássio.
O debate também inclui a revisão de normas ambientais relacionadas ao uso de nutrientes. Uma das propostas envolve ajustes na Diretiva de Nitratos, atualmente responsável por estabelecer limite de 170 kg de nitrogênio por hectare ao ano para fertilizantes orgânicos. A discussão considera a possibilidade de ampliar esse teto e harmonizar critérios de utilização de nutrientes recuperados de esterco, conhecidos como Renure, com o objetivo de ampliar o uso de fontes orgânicas, reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos e estimular práticas de economia circular na agricultura.
No âmbito da segurança de abastecimento, a estratégia em discussão prevê a criação de reservas estratégicas descentralizadas de fertilizantes, capazes de atender pelo menos três meses de demanda do bloco. Paralelamente, há incentivo à expansão da produção regional de amônia verde, integrando essa atividade a plantas de biogás e a sistemas de geração de energia renovável, como forma de fortalecer a autonomia produtiva e reduzir vulnerabilidades externas na cadeia de insumos agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.