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06/Mar/2026

Fertilizantes: tensão no Oriente Médio e alta do custo

Segundo a Galvani Fertilizantes, a escalada militar no Oriente Médio pode pressionar os preços de fertilizantes no Brasil e agravar a deterioração das relações de troca do produtor na safra 2026/27. Há uma combinação de choques de oferta envolvendo a região do Golfo Pérsico, restrições chinesas às exportações de fosfatados e impactos recentes sobre a produção russa de nitrogenados.

O principal fator de risco para o agronegócio brasileiro está associado a possíveis bloqueios logísticos na região do Golfo. A intensificação das tensões no Oriente Médio tem potencial para alterar os fundamentos de oferta e a dinâmica logística global dos fertilizantes, em um cenário no qual o Brasil apresenta elevada dependência de importações e forte exposição às rotas marítimas que passam pela região.

Dados indicam que 41% da ureia importada pelo Brasil em 2025, o equivalente a 2,8 milhões de toneladas, transitou pelo Estreito de Ormuz. No caso do MAP (fosfato monoamônico), aproximadamente 23% do volume teve origem em portos que utilizam essa rota, enquanto o enxofre respondeu por cerca de 25%. O Irã, isoladamente, exportou 184,7 mil toneladas de ureia para o Brasil no ano passado. Nesse contexto, eventuais bloqueios operacionais podem gerar um apagão logístico para insumos cuja origem predominante está em países do Golfo.

A pressão sobre os preços já vinha sendo observada antes da intensificação do conflito. As indicações para ureia CFR Brasil estavam entre US$ 475 e US$ 485 por tonelada em 27 de fevereiro. Nos Estados Unidos, o mercado de barcaças em Nova Orleans registrava cotações entre US$ 470 e US$ 480 por tonelada curta, os níveis mais elevados desde maio de 2025. Com a retirada da ureia iraniana do mercado spot, a oferta global de produto de menor custo tende a diminuir.

Antes da crise, o fertilizante de origem iraniana era negociado com desconto superior a US$ 60 por tonelada, com valores ao redor de US$ 428 a US$ 430 FOB, o que contribuía para equilibrar os preços internacionais. No segmento de fosfatados, outro vetor de pressão vem da China. O governo chinês mantém restrições às exportações para assegurar o abastecimento interno e o suprimento da indústria de baterias para veículos elétricos. Como resultado, as exportações chinesas recuaram de cerca de 11 milhões de toneladas anuais em 2015 para um intervalo estimado entre 4,5 milhões e 5,6 milhões de toneladas em 2025/2026.

Nesse ambiente, o MAP CFR Brasil era negociado entre US$ 730 e US$ 740 por tonelada, com ofertas de origem marroquina chegando a US$ 760 por tonelada para embarques em abril, patamar considerado elevado pelos importadores brasileiros diante das atuais relações de troca. Há ainda riscos adicionais para o fornecimento global de nitrogenados após um ataque de drones ucranianos à planta Dorogobuzh, do grupo russo Acron, ocorrido em 25 de fevereiro. A unidade forneceu ao Brasil mais de 630 mil toneladas de nitrato de amônio em 2025, além de 319 mil toneladas de ureia e 268 mil toneladas de fertilizantes NPK.

Para o produtor brasileiro, os impactos aparecem principalmente na deterioração da relação de troca. Na primeira semana de fevereiro, eram necessárias cerca de 29 sacas de soja para a aquisição de uma tonelada de MAP, cinco sacas a mais do que no início de 2025 e o pior nível desde o início da guerra na Ucrânia. No milho 2ª safra, 1 tonelada de ureia exigia aproximadamente 36 sacas. O cenário indica perda de poder de compra do produtor e sugere manutenção da pressão sobre a rentabilidade caso os preços dos grãos não apresentem reação proporcional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.