05/Mar/2026
A EF-170, conhecida como Ferrogrão, sofreu novo revés após o Tribunal de Contas da União suspender temporariamente o andamento do projeto, incluído no plano federal de concessões ferroviárias estimado em R$ 140 bilhões. O Tribunal apontou a necessidade de realização de audiências públicas adicionais, com submissão das modificações do empreendimento a novo debate social, citando riscos jurídicos, regulatórios e institucionais caso a etapa não seja cumprida.
A concessão prevê a construção e operação de ferrovia de cargas entre Itaituba e Sinop, com quase 1.000 km de extensão, além dos ramais Santarenzinho, com cerca de 32 km, e Itapacurá, com aproximadamente 11 km. O investimento estimado varia entre R$ 28 bilhões e R$ 36 bilhões, com potencial de reduzir custos de frete em mais de 30%. O leilão está previsto para setembro, mas pode sofrer atraso em função da decisão.
A Ferrogrão é considerada eixo estruturante da estratégia de escoamento pelo Arco Norte, corredor logístico que envolve os portos de Santarém, Barcarena, Itacoatiara e São Luís. Segundo boletim logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre janeiro e outubro de 2025 os portos do Norte responderam por 37,2% das exportações brasileiras de soja e 41,3% das de milho.
Atualmente, a produção do Centro-Oeste segue majoritariamente pela BR-163 até Miritituba, onde ocorre o transbordo para barcaças que descem o rio até Belém, antes do embarque para o mercado internacional. O modelo multimodal permite economia de frete em comparação às rotas tradicionais via Santos e Paranaguá, mas mantém elevada dependência do transporte rodoviário no primeiro trecho.
A ferrovia reduziria o fluxo de caminhões na BR-163, ampliando eficiência logística e capacidade de exportação. O projeto integra carteira mais ampla do Ministério dos Transportes, que inclui Corredor Minas-Rio, Anel Ferroviário do Sudeste, Malha Oeste, Corredor Leste-Oeste, três corredores da Malha Sul e a Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul.
Desde a desestatização das malhas na década de 1990, o setor ferroviário registrou ganhos de eficiência, mas a expansão greenfield enfrentou entraves regulatórios, ambientais e de financiamento. A atual estratégia busca retomar crescimento da malha em ambiente de maior complexidade socioambiental e necessidade de capital intensivo.
A suspensão da Ferrogrão adiciona incerteza ao cronograma e desafia a estratégia de fortalecimento do Arco Norte, considerado fundamental para ampliar competitividade do agronegócio e reduzir custos logísticos do escoamento da produção do Centro-Oeste. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.