03/Mar/2026
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã alterou de forma significativa o balanço do mercado global de fertilizantes, convertendo uma incerteza pontual em um fator altista de grande magnitude. O movimento resultou na paralisação da oferta no Oriente Médio e impulsionou os preços futuros da ureia, com alta de até 50%. A reação imediata foi a retirada de ofertas por parte dos fornecedores da região, que suspenderam as vendas de ureia diante da falta de clareza quanto à formação de preços e à duração do conflito.
O impacto é relevante, considerando que o Oriente Médio responde por 40% das exportações mundiais de ureia e por 29% das exportações globais de DAP. O Irã detém, isoladamente, 11% do mercado global de ureia. O principal ponto de estrangulamento concentra-se na logística. O tráfego marítimo já apresenta desvios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento de petróleo e fertilizantes. Um eventual fechamento total ou parcial da passagem tende a provocar encarecimento e atrasos nos fretes, ampliando a pressão sobre os custos globais. No mercado físico, ainda há escassez de referências consolidadas, porém as primeiras indicações apontam valorização da ureia entre US$ 30 e US$ 50 por tonelada.
O cenário é particularmente sensível para os Estados Unidos, que se encontram em plena temporada de plantio da safra de verão e apresentam elevada dependência de importações oriundas do Oriente Médio. Em 2025, a Arábia Saudita respondeu por 65% do DAP importado pelos Estados Unidos, enquanto o Catar foi responsável por 22% da ureia enviada ao país no ano anterior. A extensão e a duração do conflito tendem a determinar o grau de comprometimento da oferta global, sendo que um prolongamento por meses pode resultar em restrição severa ao abastecimento internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.