03/Mar/2026
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a disparada do petróleo, provocada pelo bloqueio no Estreito de Hormuz após os ataques ao Irã no final de semana, tem duplo efeito para o Brasil. Ao mesmo tempo que é positivo para as petroleiras e para a balança comercial, tem um peso forte na inflação em ano eleitoral. O Brasil não é comprador de petróleo, compra um volume muito baixo, então o Brasil não é impactado diretamente pelo fechamento do Estreito de Hormuz. No entanto, como o Brasil é dependente da importação dos derivados, e os derivados aumentam com o aumento do preço do petróleo, então o Brasil é prejudicado nesse sentido.
Com o petróleo perto dos US$ 80,00 por barril, a defasagem do diesel atingiu 23% na abertura desta segunda-feira (02/03) e a da gasolina pulou para 17% nas refinarias da Petrobras. Se por um lado, a escalada da commodity vai melhorar a balança comercial e os ganhos das petroleiras, por outro, se ficar no patamar entre US$ 75,00 e US$ 80,00 por barril haverá pressão no preço dos derivados no mercado interno, principalmente nas Regiões Norte e Nordeste, mais dependentes das refinarias privadas e das importações. "O petróleo corresponde de 35% a 40% da balança comercial. Então, aumentando o valor dessa commodity, melhora ainda mais a situação na balança comercial brasileira. E, consequentemente, para as petroleiras, entre elas a Petrobras.
No mercado interno, porém, o choque do petróleo vai pressionar os combustíveis. Como cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina são importados, cada avanço de 10% no Brent já abriu defasagem de 23% no diesel e 17% na gasolina frente às cotações internacionais. A expectativa do setor é que o petróleo permaneça entre US$ 75,00 e US$ 80,00 por barril enquanto persistirem as tensões, suficiente para manter a pressão sobre tarifas e inflação. Nesse cenário, poderia ser retomada no Congresso a proposta de criar um fundo de estabilização, financiado por parte dos royalties e participações especiais do setor de petróleo, para amortecer oscilações e blindar o consumidor sem tabelar a Petrobras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.