ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

27/Feb/2026

Kepler Weber: perspectivas para demanda em 2026

O agronegócio brasileiro entra em 2026 com o menor volume de caixa disponível para investimentos dos últimos anos, e uma eventual redução gradual da taxa Selic não deve alterar esse quadro no curto prazo. A avaliação é do diretor-presidente da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, que projeta impacto concreto do afrouxamento monetário apenas a partir de 2027. Com base em estimativas do consultor Carlos Cogo, Nogueira afirmou que o montante potencialmente destinado a novos projetos pelos produtores rurais deve cair para R$ 20 bilhões em 2026, ante R$ 200 bilhões a R$ 250 bilhões no pico do ciclo pós-pandemia, em 2021 e 2022. O cálculo considera tamanho de safra, preço médio das principais culturas e margens por produto. "Aquele cenário de R$ 200 bilhões, R$ 250 bilhões de caixa para investimentos caiu para R$ 50 bilhões, e hoje a estimativa para 2026 é de R$ 20 bilhões. Uma queda de 90%", disse.

Em Mato Grosso, maior Estado produtor de grãos do País, a margem líquida média do agricultor neste ciclo está estimada entre 1,2% e 2,6%, bem abaixo dos 15% registrados no último período negativo do setor, em 2015 e 2016, e distante da média de 21% observada entre 2016 e 2020. "É um cenário realmente crítico para o agronegócio", afirmou Nogueira. Mesmo assim, a companhia projeta para 2026 volumes de receita semelhantes ou ligeiramente superiores aos de 2025. Segundo o executivo, a sustentação virá da aceleração em Agroindústrias e da continuidade do crescimento em Negócios Internacionais. O segmento industrial deve ser impulsionado pela demanda de biocombustíveis, incluindo etanol de milho, etanol de trigo no Rio Grande do Sul e processamento com sorgo, além de projetos ligados à cadeia de proteína animal e ao esmagamento de soja. No encerramento de 2025, a Kepler fechou o contrato da maior planta de esmagamento de soja do País, com a Coamo. "2026 vai ser um ano bastante pautado na industrialização do agro brasileiro", disse.

O contraste com ciclos anteriores é ponto central na narrativa da administração. Em 2016 e 2017, quando o ambiente de juros altos e margens comprimidas era semelhante ao atual, a companhia registrou Ebitda negativo. Em 2025, encerrou o ano com margem Ebitda de 15,6%. "Não é que o pior cenário já passou. Continua chovendo torrencialmente. Mas a gente passa por esse momento de forma muito mais saudável do que em ciclos passados", afirmou Nogueira. A empresa atribui a resiliência a três pilares construídos ao longo da última década: o déficit estrutural de armazenagem no Brasil, que hoje estoca cerca de 60% da produção total de grãos; a diversificação para agroindústrias e negócios internacionais; e a gestão operacional enxuta. A plataforma Procer, que monitora hoje 75 milhões de toneladas de capacidade instalada, é parte desse posicionamento. Em tecnologia e produtos, a companhia acelerou a migração para equipamentos de maior capacidade.

Há cinco anos, 30% dos secadores fabricados tinham capacidade superior a 150 toneladas por hora. Hoje, esse porcentual está em 70%. Em automação, desenvolveu soluções que permitem reduzir em até 70% o número de operadores nas unidades dos clientes. "O cliente investe para resolver um problema imediato, não com visão de expansão de longo prazo. A gente está sintonizado com ele nesse ponto", disse Nogueira. A companhia também lançou um serviço de montagem de equipamentos diretamente no campo, com potencial de receita estimado em R$ 17 milhões. O NPS da empresa está em zona de confiança pelo quinto ano consecutivo, segundo a administração. A administração projeta para 2026 margens Ebitda em patamar próximo ao de 2019, abaixo do registrado em 2025, em razão da mudança de composição do faturamento. O retorno sobre o capital investido (ROIC) encerrou o quarto trimestre de 2025 em 23%, ante 21% no trimestre anterior. Fonte: Broadcast Agro.