27/Feb/2026
A Kepler Weber projeta nova pressão sobre a margem bruta no primeiro semestre de 2026, com deterioração adicional estimada em cerca de 1% frente ao encerramento de 2025. A combinação de crédito escasso para os clientes e aumento da participação de Agroindústrias no faturamento, segmento menos rentável que Fazendas, explica o movimento. A avaliação é do diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, durante teleconferência de resultados nesta quinta-feira (26/02). "O cenário para o primeiro semestre é muito parecido com o que a gente viveu ao final de 2025 em termos de margens, com uma pequena oscilação negativa por conta do mix", afirmou. O mecanismo de pressão tem dois vetores distintos. No segmento de Agroindústrias, instrumentos de crédito estruturado como CRAs e LCAs, que historicamente facilitavam o financiamento de projetos industriais, estão hoje muito menos disponíveis no mercado.
No segmento de Fazendas, o Plano Safra apresentou liberação de recursos bem abaixo dos anos anteriores, enquanto as taxas de juros de mercado seguem elevadas. "Os compradores têm uma pressão adicional e tentam de certa maneira reduzir os preços de suas aquisições", disse Arroyo. O diretor-presidente Bernardo Nogueira acrescentou que o ambiente mais competitivo, com menos projetos em disputa, acirra a concorrência entre fabricantes, incluindo no exterior. Paraguai e Uruguai, onde players brasileiros respondem por mais de 60% a 70% dos projetos de armazenagem, enfrentam a mesma dinâmica. "A mesma briga que a gente tem aqui, a gente acaba tendo inclusive nos países vizinhos", disse. No segmento de Fazendas, os investimentos estão concentrados nos produtores de maior porte, com acesso a fontes alternativas de financiamento. "Quem está comprando hoje são grandes fazendas, como SLC Agrícola, Bom Futuro, Amaggi. O agricultor médio, entre mil e 5 mil hectares, está mais retraído", afirmou Nogueira.
Para compensar a pressão, a companhia aposta em frentes com maior dinamismo. Em Agroindústrias, biocombustíveis lideram a demanda, com projetos em execução ligados a etanol de milho, etanol de trigo no Rio Grande do Sul e biodiesel a partir de soja e canola. Em Reposição e Serviços, o equipamento Seletron, voltado à seleção óptica de grãos com uso de inteligência artificial, registrou crescimento de 150% nas vendas em 2025, com 70% do avanço puxado pelo mercado de sementes. M&A nos segmentos de sementes e café não está descartado, segundo o executivo, após uma pausa de três meses nas discussões. O volume de investimentos da companhia em 2026 deve representar cerca de 3,5% da receita líquida, proporção menor que a de 2025, quando ficou entre 4,7% e 4,8%. A diferença ocorre porque, no ano passado, a empresa teve um gasto adicional com a troca do seu sistema de gestão para uma versão mais moderna do software SAP, o que elevou temporariamente as despesas. Fonte: Broadcast Agro.