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13/Feb/2026

Fertilizantes: tendências do mercado global e Brasil em 2026

O mercado global de fertilizantes inicia 2026 sob um ambiente de oferta restrita, elevada incerteza geopolítica e custos estruturais pressionados, com reflexos diretos sobre os preços nos portos brasileiros e sobre as margens do produtor rural.

Em janeiro de 2026, os preços no Brasil registraram elevação expressiva. O cloreto de potássio (KCl) e o superfosfato simples (SSP) apresentaram alta de até 20% em relação a janeiro de 2025, enquanto a ureia acumulou valorização próxima de 10% no mesmo comparativo. O movimento reflete uma combinação de fatores sazonais — típicos do início do ano, quando há recomposição de estoques e planejamento da safra seguinte — e fatores estruturais e geopolíticos que restringem a oferta internacional e adicionam prêmio de risco às cotações.

No cenário internacional, persistem políticas restritivas de exportação adotadas por grandes produtores, que priorizam o abastecimento doméstico em detrimento do mercado externo. Essa prática reduz a disponibilidade global de produto e intensifica a disputa por cargas, especialmente em momentos de maior demanda sazonal. Para o primeiro semestre de 2026, a expectativa é de manutenção desse quadro mais ajustado.

A demanda internacional também exerce pressão relevante. Entre fevereiro e abril, os agricultores dos Estados Unidos intensificam tradicionalmente suas compras para a temporada de primavera, elevando as importações e pressionando os preços globais. Soma-se a isso a possibilidade de novas licitações de compra por parte da Índia. Caso essas aquisições coincidam com a demanda elevada de Estados Unidos, Canadá, China e Europa, o efeito combinado tende a reforçar o viés altista das cotações.

O segmento de fosfatados concentra as maiores preocupações estruturais. Em 2025, as exportações chinesas de MAP e DAP totalizaram 5,3 milhões de toneladas, queda de 18% em relação a 2024 e o menor volume desde 2013. A retração chinesa, associada à política recorrente de restrição de embarques em períodos de maior demanda interna, apertou o balanço global e sustentou preços elevados. Bangladesh, Brasil, Etiópia, Vietnã e Tailândia estiveram entre os principais destinos dos fosfatados chineses, sendo impactados de forma mais imediata pela redução da oferta. Para 2026, circulam indicações de que a China deve manter as exportações limitadas durante boa parte do ano, o que tende a manter o mercado global de fosfatados estruturalmente ajustado.

Embora a China tenha representado apenas cerca de 3% das importações brasileiras de MAP e DAP em 2025, o Brasil é afetado indiretamente pela sua relevância no equilíbrio global. Rússia e Arábia Saudita responderam por 44% e 25% das compras brasileiras desses produtos, respectivamente, mas a menor disponibilidade global dificulta movimentos de recuo nos preços.

Nos nitrogenados, o alto custo da amônia — insumo base da produção — e os preços elevados do enxofre pressionam as margens industriais e sustentam valores elevados ao produtor final. Na Europa, o início da aplicação plena do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) em 2026 adiciona incerteza adicional, dado o elevado nível de emissões associado à produção de fertilizantes. A antecipação de estoques por compradores europeus no final de 2025 pode gerar uma acomodação temporária, mas o risco estrutural permanece.

A geopolítica segue como vetor central de risco. Instabilidades no Irã e tensões na Venezuela ampliam as incertezas sobre fluxos comerciais para grandes importadores, como Brasil e Índia. Em contrapartida, alguns fatores atuam como moderadores, como a retirada de tarifas de importação pelos Estados Unidos e a remoção de sanções sobre o KCl da Bielorrússia, contribuindo para equilibrar parcialmente o mercado de potássicos. Ainda assim, a expectativa é de que produtores operem próximos à capacidade máxima até pelo menos 2028, sustentando um ambiente de preços firmes. Projeções de mercado indicam melhora de rentabilidade para grandes players do setor, como reflexo desse balanço mais apertado.

No Brasil, a alta dos insumos ocorre em um contexto de deterioração da relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas. A combinação de custos mais elevados e preços menos favoráveis das commodities reduziu a atratividade das compras antecipadas e levou produtores a adotarem postura mais cautelosa. Em 2025, observou-se mudança relevante no perfil das importações, com substituição de fertilizantes de alta concentração por alternativas de menor custo, como o SSP, diante dos preços elevados do MAP.

No curto prazo, o foco do mercado doméstico está na aquisição de insumos para a implantação da 2ª safra de milho de 2026, em um ambiente de margens pressionadas, atrasos de plantio em algumas regiões e maior exposição ao risco climático. A partir do segundo semestre, as importações tendem a ganhar ritmo em função do plantio da safra de verão 2026/2027, podendo reaquecer a demanda e sustentar as cotações caso o cenário internacional permaneça restritivo.

Em síntese, o mercado de fertilizantes em 2026 combina oferta global limitada, pressões geopolíticas, custos industriais elevados e demanda sazonal relevante, configurando um ambiente de baixa previsibilidade e viés altista estrutural. Para produtores e importadores, o contexto exige estratégias rigorosas de mitigação de risco, atenção permanente às relações de troca e flexibilidade na escolha de formulações e níveis de concentração, como forma de preservar margens em um ciclo de custos elevados.