12/Feb/2026
A participação de sementes não certificadas no mercado brasileiro de soja alcançou cerca de 30% na safra 2025/26, segundo estimativas do setor, neutralizando parte relevante da expansão da área plantada com a oleaginosa no País. Apesar do crescimento anual entre 800 mil e 1,5 milhão de hectares, o segmento de sementes certificadas permanece praticamente estável.
Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) indicam que 27% da soja cultivada na temporada 2025/26 não foi plantada com sementes certificadas. Já estudo da CropLife Brasil aponta que 11% da produção não recolhe royalties, sendo classificada como pirataria.
O mercado de sementes não certificadas pode ser dividido em duas categorias distintas. A primeira é a semente salva, prática ainda permitida pela legislação vigente, na qual o produtor guarda parte da colheita para utilização na safra seguinte. Essa modalidade representa aproximadamente 20% do mercado. A segunda é a semente pirata, que envolve multiplicação e comercialização irregular de material protegido, respondendo por 10% a 11% do total.
Historicamente concentrada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, especialmente em regiões de fronteira com a Argentina, a pirataria vem se expandindo para outras áreas produtoras. Segundo levantamento setorial, a incidência no Rio Grande do Sul é cerca de três vezes maior que na média nacional.
O avanço das sementes não certificadas tem absorvido boa parte da expansão anual da área cultivada, impedindo crescimento proporcional do mercado formal. Com isso, mesmo em um ambiente de aumento estrutural da produção de soja no Brasil, o segmento certificado opera em patamar lateralizado.
O setor tem intensificado ações de fiscalização por meio de entidades representativas, com apreensões recorrentes tanto em soja quanto em milho. No entanto, a extensão territorial do País e a pulverização da produção dificultam o controle efetivo no campo.
A expectativa das empresas está na tramitação de uma nova Lei de Sementes no Congresso Nacional, considerada fundamental para ajustar distorções e fortalecer a proteção à propriedade intelectual. Avalia-se que, sem mudanças legislativas, o cenário tende a persistir.
No contexto global, a indústria de sementes mantém elevados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, com aportes anuais bilionários, sendo o Brasil um dos principais mercados estratégicos para novas tecnologias em genética e biotecnologia.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.