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12/Feb/2026

Sementes de Soja: sobreoferta força redimensionamento da indústria

A indústria brasileira de sementes de soja iniciou um processo de ajuste estrutural após registrar sobreoferta estimada entre 25% e 30% na última safra. O excesso ocorreu em um ambiente já pressionado por crédito mais restritivo e aumento das recuperações judiciais ao longo da cadeia de insumos, ampliando os impactos financeiros sobre as empresas do setor.

Sem absorção integral pelo mercado, parte relevante da produção de sementes precisou ser destinada ao mercado de grãos, o que implicou significativa destruição de valor. Ao serem comercializadas como grão, as sementes perdem o prêmio associado à tecnologia e ao tratamento industrial, reduzindo margens e comprometendo resultados das companhias na temporada.

O desequilíbrio decorreu, em grande medida, de decisões tomadas após uma safra anterior marcada por oferta mais restrita em algumas regiões produtoras. À época, a expectativa de expansão do mercado entre 5% e 7% levou multiplicadores e empresas a ampliarem simultaneamente os volumes de produção. A soma dessas decisões individuais resultou em um excedente que superou a capacidade de absorção da demanda.

Em um setor pulverizado, a falta de coordenação sistêmica amplia o risco coletivo. Planejamentos baseados apenas na dinâmica individual de cada empresa tendem a desconsiderar movimentos concorrenciais e projeções globais de mercado, o que pode gerar desalinhamento entre oferta e demanda.

As três últimas safras têm sido particularmente desafiadoras para a cadeia de insumos, combinando margens pressionadas, crédito mais caro e maior seletividade financeira. Para o ciclo cujo plantio se inicia em outubro, a tendência é de maior disciplina na definição de volumes e foco mais rigoroso na gestão de estoques.

A estratégia predominante passa a priorizar oferta ajustada e preservação de margens, mesmo que isso implique menor volume produzido. Em vez de expandir produção na expectativa de capturar oportunidades pontuais, o setor sinaliza preferência por trabalhar próximo ao escoamento total da oferta, reduzindo riscos de inventários elevados que pressionem políticas comerciais e estratégias de preço.

O cenário para 2026 indica, portanto, uma indústria mais cautelosa, com maior ênfase em planejamento integrado, controle de estoque e racionalização de volumes, após um ciclo de sobreoferta que evidenciou a sensibilidade do segmento a movimentos simultâneos de expansão.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.