12/Feb/2026
O mercado brasileiro de máquinas agrícolas deve apresentar estabilidade em 2026 em relação aos volumes de 2025, encerrando um ciclo prolongado de retração iniciado há cerca de quatro a cinco anos. A perspectiva é de manutenção dos volumes atuais, cenário considerado mais favorável do que novas quedas sucessivas observadas no período recente.
Nos últimos cinco anos, as vendas de colheitadeiras recuaram aproximadamente 60%, saindo de patamares próximos a 8 mil unidades anuais para pouco mais de 3 mil em 2025. O mercado de tratores também encolheu, com retração acumulada de cerca de 12%, passando de 62 mil unidades nos picos recentes para aproximadamente 49 mil no ano passado. Em termos absolutos, a redução representou forte compressão de receita e ajuste relevante para a cadeia produtiva.
Diante desse ambiente, fabricantes e concessionários redimensionaram estoques e capacidade produtiva ao novo nível de demanda. O ajuste reduz imobilização de capital e melhora a eficiência financeira, especialmente em um contexto de juros elevados.
Regionalmente, o Centro-Oeste segue como principal vetor de demanda. Mato Grosso concentrou cerca de 40% das colheitadeiras comercializadas em 2025, com foco em renovação de frota e ganhos de eficiência. No Matopiba, a dinâmica é de ampliação de frota em áreas de expansão, com procura por máquinas de maior porte e tecnologia embarcada.
O Paraná também apresenta fundamentos positivos, sustentado por safra robusta de soja e consolidação estrutural na produção de grãos. Já o Rio Grande do Sul demonstra resiliência após adversidades climáticas recentes, embora segmentos específicos, como o arroz, projetem leve retração produtiva compensada por estoques elevados.
Há demanda reprimida em segmentos como colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores. No caso das plantadeiras, parte relevante da frota nacional já ultrapassou 15 anos de uso, acumulando defasagem tecnológica. Em pulverizadores, tecnologias de aplicação localizada podem reduzir significativamente o volume de insumos por hectare, com impacto direto sobre custos operacionais.
Crédito segue como principal entrave
O alto custo do crédito permanece como principal limitador da retomada mais consistente do setor. Com a Selic em 15% e inflação próxima de 4%, a taxa real supera 10% ao ano. Na prática, os financiamentos de máquinas operam frequentemente acima de 20% ao ano, podendo alcançar 22% a 28% conforme perfil de risco e estrutura da operação.
Nesse nível de juros, o custo financeiro em quatro anos praticamente dobra o valor principal financiado, tornando sensível a decisão de investimento, sobretudo para equipamentos de maior valor, como colheitadeiras acima de R$ 1 milhão.
Mesmo diante de eventual redução da taxa básica ao longo de 2026, o efeito sobre o mercado tende a ocorrer com defasagem estimada de cinco a seis meses. Além disso, postergar a compra à espera de juros menores pode implicar risco operacional relevante, já que falhas ou indisponibilidade de máquinas em janelas críticas de plantio ou colheita geram perdas irrecuperáveis de margem.
Mudança estrutural no crédito rural
O crédito subsidiado perdeu abrangência nos últimos anos. Linhas como Moderfrota e Pronaf passaram a atender prioritariamente a agricultura familiar, enquanto médios e grandes produtores dependem mais de crédito privado, capital próprio e instrumentos como CPR, Fiagro e CRA.
Observa-se também aumento nas renegociações de dívidas, ainda sem configurar inadimplência generalizada, mas sinalizando maior pressão financeira. Garantias já comprometidas em operações anteriores limitam novas contratações e elevam spreads bancários.
Nesse ambiente, produtores com maior musculatura financeira têm ampliado o uso de recursos próprios, reduzindo a dependência do sistema bancário tradicional.
O cenário para 2026, portanto, combina estabilização de volumes, cadeia produtiva ajustada e fundamentos regionais relativamente sólidos, mas ainda sob forte condicionante do custo do capital e da dinâmica do crédito rural.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.