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10/Feb/2026

Máquinas: Yanmar cresce com foco no pequeno produtor

O agronegócio segue como o principal vetor de crescimento da operação da Yanmar no Brasil, respondendo por até 70% do faturamento da companhia no País. O segmento de construção representa entre 15% e 20% da receita, enquanto o restante é distribuído entre motores, setor marítimo e venda de peças. A estratégia marca uma inflexão relevante para uma empresa que, no início dos anos 2000, havia reduzido sua atuação em máquinas agrícolas no mercado brasileiro.

A retomada ganhou tração a partir da parceria firmada em 2017 com uma fabricante indiana, que permitiu à companhia desenvolver uma linha mais moderna de tratores e reposicionar seu portfólio. O foco passou a ser máquinas compactas e médias, direcionadas ao pequeno e médio produtor rural, segmento menos exposto à volatilidade de preços de commodities e ao custo do crédito enfrentado pelos grandes produtores de grãos.

Entre 2019 e 2025, o faturamento da empresa no Brasil cresceu seis vezes, refletindo a expansão do agronegócio e a adequação do portfólio às características do mercado local. Em 2025, contudo, o ritmo de crescimento perdeu intensidade. Na comparação com 2024, a receita de vendas avançou cerca de 4%, enquanto o lucro operacional teve alta de aproximadamente 11%, abaixo do crescimento de 15% observado no período anterior.

Para 2026, a expectativa é de expansão mais moderada, em torno de 5%, em um ambiente ainda marcado por juros elevados, maior seletividade do crédito e cautela nos investimentos, especialmente em máquinas agrícolas. Esse cenário tende a limitar decisões de compra, embora o segmento de pequenos e médios produtores continue apresentando maior resiliência.

No mercado brasileiro, a empresa detém participação estimada de cerca de 11% em máquinas agrícolas e aproximadamente 26% no segmento de mini escavadeiras. A presença física também vem sendo ampliada: a rede de concessionárias agrícolas passou de 62 unidades em 2022 para 85 atualmente, com meta de alcançar 110 pontos até 2030.

As máquinas de até 100 cavalos permanecem no centro da estratégia, atendendo produtores de hortifruti, café, pecuária e agricultura familiar. Esse posicionamento reduz a sensibilidade da empresa aos ciclos mais agudos de retração observados em culturas como soja, milho e algodão, mais dependentes de crédito e sujeitas a oscilações de preços.

Além da expansão comercial, a companhia vem reforçando a atuação em pós-venda e digitalização. Sistemas de monitoramento remoto e manutenção preditiva permitem reduzir tempo de parada das máquinas e ampliar a vida útil dos equipamentos, agregando valor ao produto final. Em paralelo, a empresa tem intensificado iniciativas para facilitar o acesso ao crédito, por meio de consórcios e parcerias com cooperativas e instituições financeiras, em resposta a um ambiente financeiro mais restritivo.

Outro movimento estratégico é a nacionalização da produção de tratores cabinados. A instalação de uma fábrica própria no interior de São Paulo deve ampliar a capacidade produtiva e reduzir a dependência de importações, hoje um dos fatores limitantes da operação.

No campo tecnológico, a avaliação é de que soluções como eletrificação total e hidrogênio ainda estão distantes da realidade do agro brasileiro, dadas limitações de infraestrutura, conectividade, escala e ambiente regulatório. No curto e médio prazo, os maiores ganhos devem vir da digitalização, automação parcial e integração de sistemas de GPS às máquinas já produzidas, mantendo o foco em eficiência operacional e adequação às condições do mercado nacional.

Fonte: Bloomberg Línea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.