09/Feb/2026
Após o ciclo de forte expansão observado nos últimos anos, as feiras agropecuárias entram em 2026 sob um ambiente mais desafiador. Juros elevados, endividamento crescente do produtor rural e maior restrição na oferta de crédito tendem a reduzir o apetite por novos investimentos, levando organizadores e expositores a trabalharem com expectativas entre estabilidade e retração nos volumes de negócios.
Em 2025, os principais eventos do calendário nacional — Show Rural Coopavel (PR), Tecnoshow Comigo (GO), Agrishow (SP) e Agrobrasília (DF) — movimentaram cerca de R$ 37 bilhões. Para 2026, a projeção é de números mais contidos. O Show Rural, realizado em Cascavel (PR), projeta movimentar aproximadamente R$ 6 bilhões, abaixo dos R$ 7,05 bilhões registrados no ano anterior, refletindo o ambiente de margens mais apertadas e maior cautela por parte dos produtores.
O cenário é influenciado pela pressão sobre os preços agrícolas e pelo custo elevado do capital, o que tende a adiar decisões de compra de maior porte. A indústria de máquinas agrícolas, responsável por parcela relevante dos negócios fechados nesses eventos, trabalha com expectativa de crescimento mais moderado em 2026. As vendas do setor devem avançar cerca de 3,4% no ano, desacelerando frente ao crescimento de 7,4% observado em 2025, quando o faturamento alcançou R$ 67 bilhões. A avaliação predominante é de que não há, no curto prazo, um fator claro que destrave de forma consistente a demanda por máquinas e equipamentos.
Mesmo assim, o desempenho regional das safras pode amenizar o impacto da conjuntura. No Rio Grande do Sul, a expectativa de recuperação da produção após um ciclo frustrado sustenta a perspectiva de melhora nos negócios em feiras locais, ainda que as compras fiquem concentradas em produtores mais capitalizados. Situação semelhante é observada no oeste da Bahia, onde a previsão de safra elevada convive com cautela nos investimentos, condicionada à evolução dos preços das commodities e à trajetória dos juros ao longo do primeiro semestre.
No caso do Show Rural Coopavel, a disponibilidade de crédito tende a sustentar parte das operações. A expectativa é de fechamento de cerca de R$ 800 milhões em negócios financeiros, acima dos R$ 697 milhões registrados em 2025. Esse movimento acompanha as boas perspectivas para a safra de verão do Paraná, estimada em 25,9 milhões de toneladas, além da oferta de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em linhas de crédito durante o evento.
Em síntese, as feiras agropecuárias de 2026 devem refletir um ano de ajuste no agronegócio brasileiro. O foco se desloca da expansão acelerada para a preservação de margens, gestão de risco e seletividade nos investimentos, com os volumes de negócios mais dependentes das condições regionais de safra, do comportamento dos preços agrícolas e da evolução do custo do crédito.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.