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09/Feb/2026

Ferrovias: retomada de concessões tem projetos desenvolvidos e ativos

Após cerca de três anos de elaboração, o governo federal inicia a execução de uma nova carteira de concessões ferroviárias, com previsão de oito leilões até 2027. O conjunto de projetos abrange mais de nove mil quilômetros de extensão e envolve investimentos estimados em cerca de R$ 140 bilhões, marcando a retomada de uma agenda que permaneceu praticamente paralisada por quase uma década.

A estratégia oficial parte da leitura de que o desempenho recente das concessões rodoviárias, mesmo em um ambiente de juros elevados, ajudou a recompor a confiança de investidores e pode servir como referência para a reativação do modal ferroviário. A expectativa é atrair operadores especializados, investidores financeiros e capital estrangeiro, ampliando a base de participantes nos certames.

Apesar disso, a avaliação do mercado é heterogênea. Analistas do setor apontam que a comparação direta entre rodovias e ferrovias exige cautela, dadas as diferenças estruturais entre os modais. As ferrovias demandam volumes de investimento mais elevados, apresentam maior complexidade técnica e estão mais expostas a riscos ambientais, fundiários e de demanda, o que torna o processo de estruturação mais sensível.

Projetos ferroviários

A carteira anunciada é considerada diversificada. Entre os projetos listados estão o Corredor Minas-Rio, o Anel Ferroviário do Sudeste, a Malha Oeste, o Corredor Leste-Oeste, a Ferrogrão, três corredores da Malha Sul e a Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul.

Há maior consenso quanto à viabilidade de empreendimentos conectados a trechos já operacionais, como o Corredor Minas-Rio e a Extensão Norte da Norte-Sul. Esses projetos apresentam demanda mais previsível, com cargas cativas e integração a infraestruturas existentes, o que reduz riscos de receita e melhora a bancabilidade.

Parte da Malha Sul também é vista de forma relativamente mais favorável, especialmente nos corredores que ligam Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nesses casos, a diversificação de cargas — incluindo agronegócio, indústria e proteína animal — e a proximidade de portos organizados contribuem para um perfil de risco mais equilibrado, embora o volume de investimentos permaneça elevado.

Em contraste, projetos como a Ferrogrão, a Malha Oeste e o Corredor Leste-Oeste concentram as maiores incertezas. Esses empreendimentos enfrentam entraves regulatórios, ambientais e contratuais, além de menor clareza sobre a demanda inicial e ausência de contratos âncora, fatores que reduzem a atratividade econômica no curto prazo.

Estratégia institucional

A Ferrogrão é apontada como o caso mais sensível da carteira. O projeto segue judicializado no Supremo Tribunal Federal e ainda não conta com licenciamento ambiental nem com manifestação definitiva do Tribunal de Contas da União. Embora sua inclusão no planejamento indique prioridade estratégica, o avanço efetivo depende da resolução desses impasses, o que adiciona risco ao cronograma.

De forma geral, o entendimento do mercado é que a sinalização governamental tem caráter político-institucional, mas que a materialização dos projetos exigirá avanços concretos. Entre os pontos considerados críticos estão o progresso no licenciamento ambiental, maior clareza fundiária, definição mais precisa da demanda e a estruturação de mecanismos de financiamento e subvenção, especialmente para trechos greenfield.

Também há consenso de que será necessário priorizar projetos mais maduros e fortalecer a coordenação entre órgãos públicos e entidades de controle. A redução da judicialização, sobretudo em temas ambientais, é vista como decisiva para transformar a carteira anunciada em concessões efetivamente viáveis e atrativas ao capital privado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.