06/Feb/2026
A Aliança Agrícola do Cerrado informou que irá recorrer da decisão da Justiça de Minas Gerais que negou o pedido de suspensão de cobranças por 60 dias e de liberação de aproximadamente R$ 380 milhões retidos em garantias bancárias. Em posicionamento divulgado após o despacho, a empresa avaliou que atende aos requisitos legais para a concessão da medida cautelar, considerada essencial para a condução do processo de reestruturação financeira em curso.
Com a negativa da tutela de urgência, a companhia permanece sem proteção judicial prévia a eventual ingresso em recuperação judicial ou extrajudicial, mantendo-se autorizadas as cobranças judiciais e extrajudiciais por parte dos credores, bem como o vencimento antecipado de contratos financeiros e a manutenção dos valores bloqueados em garantias.
No comunicado, a empresa afirmou que não encerrou definitivamente suas atividades, tendo paralisado temporariamente as operações com o objetivo de preservar a estrutura operacional. Segundo a companhia, parte da equipe já foi recontratada, a diretoria segue atuante e a empresa se considera apta a retomar as atividades após a definição judicial, sem detalhar prazos ou condições objetivas para essa retomada.
Na decisão, o Judiciário entendeu que não estavam presentes os requisitos legais para a concessão da tutela cautelar antecedente, ressaltando que a legislação prevê rito próprio para empresas em situação de crise que buscam proteção judicial ampla. Também foi destacado que a redução ou paralisação das atividades operacionais compromete a aplicação do princípio da preservação da empresa, podendo tornar a medida cautelar ineficaz ou prejudicial aos credores.
O pedido indeferido havia sido protocolado em 19 de janeiro, após a empresa comunicar dificuldades severas de caixa. A solicitação previa a suspensão de execuções e cobranças por 60 dias, a vedação de vencimentos antecipados de contratos e a liberação de recursos bloqueados em mecanismos de garantia. O valor atribuído à causa foi de R$ 1,162 bilhão.
A relação apresentada no processo aponta dívidas identificadas de R$ 971,6 milhões. Entre os principais credores figuram instituições financeiras, empresas do mercado de capitais, produtores rurais, cooperativas e tradings, com contratos vinculados à safra 2025/26.
A crise ganhou visibilidade em 13 de janeiro, quando a empresa deixou de honrar o pagamento de juros mensais de Certificados de Recebíveis do Agronegócio emitidos em 2023, operação que havia captado R$ 147 milhões. Na sequência, foram anunciadas a paralisação de unidades industriais, o encerramento de bases comerciais em diferentes Estados e a demissão de 344 trabalhadores. As plantas industriais tinham capacidade combinada de processamento de 736 mil toneladas de soja por ano.
A Aliança Agrícola é controlada por um conglomerado internacional com atuação em trading de grãos, esmagamento de oleaginosas e produção de fertilizantes. A empresa tem prazo de 15 dias para apresentar recurso contra a decisão judicial e, até o momento, não informou se pretende ingressar formalmente com pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, nem apresentou cronograma para eventual retomada das operações.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.