04/Feb/2026
Os preços dos fertilizantes nos portos brasileiros registraram elevação expressiva em janeiro de 2026, refletindo um ambiente de oferta mais restrita e demanda internacional mais aquecida. O cloreto de potássio (KCl) e o superfosfato simples (SSP) apresentaram alta de até 20% em relação a janeiro de 2025, enquanto a ureia acumulou valorização de aproximadamente 10% no mesmo comparativo.
O movimento de alta é explicado por uma combinação de fatores sazonais e geopolíticos. O início do ano concentra tradicionalmente ajustes de preços associados ao planejamento da safra seguinte, ao mesmo tempo em que tensões geopolíticas recentes ampliam a percepção de risco sobre a oferta global de fertilizantes, adicionando prêmio às cotações.
No mercado internacional, a oferta segue impactada por políticas restritivas de exportação adotadas por grandes produtores globais. Em determinados períodos, a priorização do abastecimento interno por países exportadores reduz a disponibilidade de produto no mercado externo, intensificando a disputa por cargas e elevando os preços nos principais destinos importadores. A expectativa é de que esse tipo de restrição persista ao longo do primeiro semestre de 2026, mantendo o mercado mais ajustado.
Outro fator relevante é a retomada das compras pelos agricultores dos Estados Unidos para a temporada de primavera. Entre fevereiro e abril, historicamente, há aumento das importações norte-americanas, o que tende a pressionar os preços internacionais e, por consequência, os valores praticados nos portos brasileiros.
A atenção do mercado também se volta para a demanda da Índia, diante da possibilidade de novos processos de compra no curto prazo. Caso essas aquisições ocorram simultaneamente ao período de maior demanda em mercados como Estados Unidos, Canadá, China e Europa, o efeito combinado tende a reforçar o viés altista dos preços globais de fertilizantes.
No cenário doméstico, a elevação das cotações ocorre em um contexto de deterioração da relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas. Os preços mais altos dos insumos, aliados a valores menos favoráveis das commodities, tornam a relação de troca menos atrativa, levando compradores brasileiros a adotar uma postura mais cautelosa. Esse comportamento reduz o ritmo de antecipação das compras para a próxima safra, mas não elimina o risco de novas pressões de preço caso o mercado internacional permaneça ajustado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.